Wednesday, August 13, 2008
alinhavada
Os dias sucedem-se e eu a aguardar por uma fase em que tenha controle sobre os acontecimentos, em que consiga sentir que as várias zonas da minha vida se harmonizam, não se atropelam, nem estão em débito umas relativamente às outras?
Presumo que a sabedoria é isso mesmo: saber estabelecer prioridades, tirar partido do que se nos oferece, dizer não às vezes e aceitar que só se consegue fazer um pouco de tudo.
Thursday, August 07, 2008
de mão em mão
Tuesday, May 27, 2008
Dead Parrot... in writing
A customer enters a pet shop.
Mr. Praline (P): 'Ello, I wish to register a complaint.
(The owner does not respond.)
P: 'Ello, Miss?
Owner (O): What do you mean "miss"?
P: I'm sorry, I have a cold. I wish to make a complaint!
O: We're closin' for lunch.
P: Never mind that, my lad. I wish to complain about this parrot what I purchased not half an hour ago from this very boutique.
O: Oh yes, the, uh, the Norwegian Blue...What's,uh...What's wrong with it?
P: I'll tell you what's wrong with it, my lad. 'E's dead, that's what's wrong with it!
O: No, no, 'e's uh,...he's resting.
P: Look, matey, I know a dead parrot when I see one, and I'm looking at one right now.
O: No no he's not dead, he's, he's restin'! Remarkable bird, the Norwegian Blue, idn'it, ay? Beautiful plumage!
P: The plumage don't enter into it. It's stone dead.
O: Nononono, no, no! 'E's resting!
P: All right then, if he's restin', I'll wake him up! (shouting at the cage) 'Ello, Mister Polly Parrot! I've got a lovely fresh cuttle fish for you if you show...
(owner hits the cage)
O: There, he moved!
P: No, he didn't, that was you hitting the cage!
O: I never!!
P: Yes, you did!
O: I never, never did anything...
P: (yelling and hitting the cage repeatedly) 'ELLO POLLY!!!!! Testing! Testing! Testing! Testing! This is your nine o'clock alarm call!
(Takes parrot out of the cage and thumps its head on the counter. Throws it up in the air and watches it plummet to the floor.)
P: Now that's what I call a dead parrot.
O: No, no.....No, 'e's stunned!
P: STUNNED?!?
O: Yeah! You stunned him, just as he was wakin' up! Norwegian Blues stun easily, major.
P: Um...now look...now look, mate, I've definitely 'ad enough of this. That parrot is definitely deceased, and when I purchased it not 'alf an hour ago, you assured me that its total lack of movement was due to it bein' tired and shagged out following a prolonged squawk.
O: Well, he's...he's, ah...probably pining for the fjords.
P: PININ' for the FJORDS?!?!?!? What kind of talk is that?, look, why did he fall flat on his back the moment I got 'im home?
O: The Norwegian Blue prefers keepin' on it's back! Remarkable bird, id'nit, squire? Lovely plumage!
P: Look, I took the liberty of examining that parrot when I got it home, and I discovered the only reason that it had been sitting on its perch in the first place was that it had been NAILED there.
(pause)
O: Well, o'course it was nailed there! If I hadn't nailed that bird down, it would have nuzzled up to those bars, bent 'em apart with its beak, and VOOM! Feeweeweewee!
P: "VOOM"?!? Mate, this bird wouldn't "voom" if you put four million volts through it! 'E's bleedin' demised!
O: No no! 'E's pining!
P: 'E's not pinin'! 'E's passed on! This parrot is no more! He has ceased to be! 'E's expired and gone to meet 'is maker! 'E's a stiff! Bereft of life, 'e rests in peace! If you hadn't nailed 'im to the perch 'e'd be pushing up the daisies! 'Is metabolic processes are now 'istory! 'E's off the twig! 'E's kicked the bucket, 'e's shuffled off 'is mortal coil, run down the curtain and joined the bleedin' choir invisibile!! THIS IS AN EX-PARROT!!
(pause)
O: Well, I'd better replace it, then. (he takes a quick peek behind the counter) Sorry squire, I've had a look 'round the back of the shop, and uh, we're right out of parrots.
P: I see. I see, I get the picture.
O: I got a slug.
(pause)
P: Pray, does it talk?
O: Nnnnot really.
P: WELL IT'S HARDLY A BLOODY REPLACEMENT, IS IT?!!???!!?
O: N-no, I guess not.
(gets ashamed, looks at his feet)
P: Well.
(pause)
O: (quietly) D'you.... d'you want to come back to my place?
P: (looks around) Yeah, all right, sure.
Retirado de http://www.mtholyoke.edu/~ebarnes/python/dead-parrot.htm
Monday, May 26, 2008
plágio ou inspiração?


Gosto imenso do trabalho de Joseph Cornell (USA, 1903-1972), em quem tropecei em livro antes de o reconhecer em museus.
As suas colagens e montagens são românticas, harmónicas na cor e na composição (parece nunca terem nada a mais), mas acima de tudo inspiradoras. Tão tentadoramente inspiradoras, que apetece quase repeti-las com os materiais que nos são familiares e nossos.
Aliás, a quem é que nunca aconteceu pensar "porque é que não fui eu a lembrar-me disto!"
Com o bombardeio repetido de imagens a que somos sujeitos, às vezes é difícil distinguir a linha da inspiração da do plágio, porque tudo se mistura e sucede no nosso subconsciente.
E ao formular uma solução tudo se nos apresenta como novo.
Por isso me apetece por vezes uma atmosfera limpa, desprovida de estímulos, para perceber o que é realmente novo dentro de mim.
A primeira imagem é de Delila Jemaiel e a segunda de Joseph Cornelll.
Wednesday, May 14, 2008
Friday, May 09, 2008
Tuesday, April 29, 2008
memórias de verões passados

Os dias que começavam cedo, quando ainda era frio lá fora e saíamos de casa arrepiados, nas nossas blusas leves de manga curta, à espera que o sol começasse a brilhar.
As brincadeiras aos detectives, com agenda, lápis em punho, na busca de "pistas" dos crimes inventados.
Subir aos muros, à cerejeira nas traseiras de casa, brincar nos terrenos dos serviços municipalizados, fugindo aos guardas e trazendo pequenos restos de lâmpadas que serviriam de lanternas em brincadeiras miniaturizadas.
Os dias do teatro, com cenografia improvisada - palco, reposteiros pendurados em cordas, cadeiras para público - guarda-roupa de vestidos compridos antigos, truques de magia com cobras feitas de meias suspensas por fios de nylon.
O jantar engolido à pressa, a terminar com cerejas, tão do dia e cheias de sabor, para ir brincar lá fora, ainda dia.
A sensação inolvidável do primeiro dia de férias, com a pasta de couro vermelho para pôr às costas arrumada a um canto, e o tempo que se esticaria longaaaaamente por três meses cheios mas tranquilos, lentos, saboreados.
As idas à quinta, com lanches à sombra do magnífico cedro e corridas pelo canavial a evitar os poços.
As tardes de desenho a inventar histórias e a desenhá-las: os minúsculos africanos e Callie, heroína espacial.
As estadias na aldeia, com viagens de burra, apanha de morangos, jantares no terraço ao pôr-do-sol, sentados em cadeiras de tiras de borracha, que se afastavam com o nosso peso, corridas de carrinhos e de corredores de bicicleta em plástico, passeios a pé depois do jantar, lavar roupa no tanque comunitário, ir buscar água de cântaro no fontanário público onde era preciso carregar com força na torneira que deixava escorrer água pelos braços e regressar com ele sobre a rodilha na cabeça. Amigos inseparáveis, longas cartas.
Idas à feira em Setembro, com farturas, Sumol de laranja, bolinhas de serradura, furos de brindes Regina, tachinhos de alumínio, areia nas sandálias, voltinhas no carrocel duplo.
Idas ao Fontelo, gritos de pavões, muitas corridas à sombra e frescura das árvores, arranhões nos joelhos, laranjada Bussaco numa casa com azulejos aos quadrados pretos e brancos.
Brincar aos países, ao mata, ao Festival da Canção nas escadas da entrada de casa.
As férias na praia, campismo com pinhal, caça nocturna aos gambuzinos, comer ao ar livre, nadar na piscina até os dedos quase cairem de tão engelhados, andar de sulipas, a minha saia vermelha com pregas, ler na cama de rede com o som de fundo das relas, comer camarinhas.
O regresso a casa depois da praia com o encanto dos cheiros: a caixa do correio de madeira, o arroz de ervilhas e rissóis de pescada feitos em casa, a cera no corredor, o pijama lavado, a almofada da mãe.
Que bom ter destas memórias de infância...
e se a revolução se atrasasse?

como eu me atrasei neste post...
a fotografia foi tirada no próprio dia, sobre uma memória de outras épocas que resiste numa parede da Ajuda.
O 25 de Abril deve estar vivo enquanto memória individual e ser partilhada pela escrita, oralidade, pela imprensa, mas deixem de parte as celebrações saudosistas televisivas, que surtem o efeito contrário e ridicularizam em vez de exaltar.
Friday, April 25, 2008
vai tudo ao molho e alguma coisa há-de estar bem!
- Pesquisas recentes revelaram que um quinto dos americanos não conseguem localizar o seu país no mapa. Porque é que acha que isso acontece?
- Pessoalmente acredito, que os norte americanos não são capazes porque... ãh... algumas pessoas por aí no nosso país não têm mapas. E eu acredito que a nossa educação...ãh...como a da África do Sul e do... Iraque...e todos os lugares semelhantes...ãh... eu acredito que deveriam ser.... a nossa educação aqui! nos EUA... deveriam ajudar os EUA... deveriam ajudar a África do Sul e o Iraque e os países asiáticos, de modo que sejamos capazes de construir o nosso futuro, para as nossas crianças...
Sunday, April 06, 2008
Tuesday, March 18, 2008
nos intervalos
"estamos quase no Natal!"
"decretaram ponte para quinta-feira"
"o fim de semana que não chega..."
"quantos feriados há este ano?"
"já não dá... estamos quase na hora de almoço"
"vou meter baixa"
"pediste dispensa?"
"esta semana é óptima, só tem três dias!"
"não vale a pena marcar nada, porque estamos quase na Páscoa"
"a partir de Junho e até Setembro, nada feito! Está sempre algum administrador de férias"
"a Srª Doutora já chegou, mas deve ter ido beber um cafezinho"
"melhor do que intervalos, só pão com manteiga"
Friday, March 14, 2008
no trânsito
Nem sei como a coisa começou, mas a dada altura vimo-nos a braços com questões existenciais como a que ele pôs: "pergunto a mim mesmo o que leva as pessoas a tanto esforço quotidiano, quando sabem que têm a morte tão certa?".
Dei comigo a pensar "e que seria de nós se não soubéssemos se morríamos? ou o que faríamos se a nossa existência se prolongasse indefinidamente?"
Não se poriam os mesmos problemas éticos sobre a vida e o que fazer com ela? Será que o limite, a quantidade são tão determinantes?
Nos dias acelerados de hoje, creio que um dos problemas maiores é não podermos dedicar o tempo certo a pensar nos porquês e paraquês da vida, a encontrar para a nossa existência e a do nosso país, empresas ou comunidades, as razões e motivações de ser.
Tuesday, February 19, 2008
plantas exóticas


O IKEA tem neste momento uma oferta de plantas exóticas deveras interessantes: um cacto coral, (Euphorbia lactea cristata, cuja origem é a Índia ou Sri Lanka) e um outro em flor (sim, também hei-de descobrir o nome...) que apresentam o colorido e formas mais artísticas que se podem imaginar. A paleta de cores é fabulosa, também. Vale uma visita.
Quem adivinha?

Se aguém descobrir onde fica este belo fontanário, não diga a ninguém.
É que fica mesmo ao pé deste "condemónio aberto" em frente ao nosso Palácio da Ajuda, o dos jantares de Chefes de Estado, da exposição do Hermitage, do Ministério da Cultura...
Ai, Portugal, Portugal, que prioridades, que planeamento, que urbanismo!
Lisboa devia inspirar!
Do programa "um projecto cultural que pretende estimular a discussão e o debate crítico de temas actuais, e responder a questões levantadas pela comunidade criativa" retive o Banco de Conhecimento Comum (BCC) e respectivo Mercado de Conhecimento Livre (MCL); um documentário sobre Curitiba, enquanto experiência de urbanismo e sustentabilidade; as Future Asked Questions, com apresentaçao de processos criativos como resposta a essas questões e finalmente a World Changing, uma vídeoconferência de Allex Steffan sobre desenvolvimento sustentável.
Como não consegui assistir a nenhuma das conferências, não me posso pronunciar sobre esses conteúdos. No entanto, a minha deslocação valeu-me um enorme desapontamento.
Pese embora a simpatia dos "hospedeiros" e o entusiasmo ingénuo dos estudantes presentes, muitas coisas não resultaram a favor da credibilidade do projceto.
O espaço não convenceu (a decadência das instalações nem era assumida nem resolvida com a pintura de branco das paredes ou a alcatifa barata a cobrir o chão de madeira, provavelmente carunchento); as exposições presentes variavam entre o minimalista (projectos de copos da Bombay Sapphire), o inconsequente (escolhas de objectos dos designers convidados pela MUDE para as FAQ*) e o francamente mau (do négligée intencional ou não dos projectos de estudantes da ETIC); a vídeo-conferência não teve lugar por problemas técnicos, nem alternativa, por falta de planeamento; os resultados expostos do BCC e MCL eram confrangedores (aprender a fazer sushi, arrumar a casa ou fazer yoga, não me parecem as sugestões mais originais, estimulantes ou ricas para abrir um Banco de Conhecimento Comum; propor a reflorestação das serras portuguesas neste contexto, ainda menos!)
Enfim, much ado about nothing.
*neste caso apetece-me dizer "irresponsável", dado que organizada pelo Museu do Design que devia saber o quanto o design sofre de cada vez que estas leituras descontextualizadas são feitas para o grande público: aumentam a desconfiança sobre o design e os designers, associando-os à inconsequência. Noto ainda a falta de uma apresentação convincente, com as explicações apresentadas em folhas de papel singelamente (des)coladas na parede.










