Portugal vive numa curiosa obsessão pelos intervalos, que se revela na linguagem:
"estamos quase no Natal!"
"decretaram ponte para quinta-feira"
"o fim de semana que não chega..."
"quantos feriados há este ano?"
"já não dá... estamos quase na hora de almoço"
"vou meter baixa"
"pediste dispensa?"
"esta semana é óptima, só tem três dias!"
"não vale a pena marcar nada, porque estamos quase na Páscoa"
"a partir de Junho e até Setembro, nada feito! Está sempre algum administrador de férias"
"a Srª Doutora já chegou, mas deve ter ido beber um cafezinho"
"melhor do que intervalos, só pão com manteiga"
Tuesday, March 18, 2008
Friday, March 14, 2008
no trânsito
Ontem tive uma conversa curiosa com um taxista.
Nem sei como a coisa começou, mas a dada altura vimo-nos a braços com questões existenciais como a que ele pôs: "pergunto a mim mesmo o que leva as pessoas a tanto esforço quotidiano, quando sabem que têm a morte tão certa?".
Dei comigo a pensar "e que seria de nós se não soubéssemos se morríamos? ou o que faríamos se a nossa existência se prolongasse indefinidamente?"
Não se poriam os mesmos problemas éticos sobre a vida e o que fazer com ela? Será que o limite, a quantidade são tão determinantes?
Nos dias acelerados de hoje, creio que um dos problemas maiores é não podermos dedicar o tempo certo a pensar nos porquês e paraquês da vida, a encontrar para a nossa existência e a do nosso país, empresas ou comunidades, as razões e motivações de ser.
Nem sei como a coisa começou, mas a dada altura vimo-nos a braços com questões existenciais como a que ele pôs: "pergunto a mim mesmo o que leva as pessoas a tanto esforço quotidiano, quando sabem que têm a morte tão certa?".
Dei comigo a pensar "e que seria de nós se não soubéssemos se morríamos? ou o que faríamos se a nossa existência se prolongasse indefinidamente?"
Não se poriam os mesmos problemas éticos sobre a vida e o que fazer com ela? Será que o limite, a quantidade são tão determinantes?
Nos dias acelerados de hoje, creio que um dos problemas maiores é não podermos dedicar o tempo certo a pensar nos porquês e paraquês da vida, a encontrar para a nossa existência e a do nosso país, empresas ou comunidades, as razões e motivações de ser.
Tuesday, February 19, 2008
plantas exóticas


O IKEA tem neste momento uma oferta de plantas exóticas deveras interessantes: um cacto coral, (Euphorbia lactea cristata, cuja origem é a Índia ou Sri Lanka) e um outro em flor (sim, também hei-de descobrir o nome...) que apresentam o colorido e formas mais artísticas que se podem imaginar. A paleta de cores é fabulosa, também. Vale uma visita.
Quem adivinha?

Se aguém descobrir onde fica este belo fontanário, não diga a ninguém.
É que fica mesmo ao pé deste "condemónio aberto" em frente ao nosso Palácio da Ajuda, o dos jantares de Chefes de Estado, da exposição do Hermitage, do Ministério da Cultura...
Ai, Portugal, Portugal, que prioridades, que planeamento, que urbanismo!
Lisboa devia inspirar!
Dei um salto no fim da tarde de Domingo passado à Inspired Lisbon, no Palácio Valadares, ao Carmo, curiosa sobre o programa ambicioso e aliciante que apresentava, e com pena de não ter assistido às sessões anteriores, cujos temas prometiam.
Do programa "um projecto cultural que pretende estimular a discussão e o debate crítico de temas actuais, e responder a questões levantadas pela comunidade criativa" retive o Banco de Conhecimento Comum (BCC) e respectivo Mercado de Conhecimento Livre (MCL); um documentário sobre Curitiba, enquanto experiência de urbanismo e sustentabilidade; as Future Asked Questions, com apresentaçao de processos criativos como resposta a essas questões e finalmente a World Changing, uma vídeoconferência de Allex Steffan sobre desenvolvimento sustentável.
Como não consegui assistir a nenhuma das conferências, não me posso pronunciar sobre esses conteúdos. No entanto, a minha deslocação valeu-me um enorme desapontamento.
Pese embora a simpatia dos "hospedeiros" e o entusiasmo ingénuo dos estudantes presentes, muitas coisas não resultaram a favor da credibilidade do projceto.
O espaço não convenceu (a decadência das instalações nem era assumida nem resolvida com a pintura de branco das paredes ou a alcatifa barata a cobrir o chão de madeira, provavelmente carunchento); as exposições presentes variavam entre o minimalista (projectos de copos da Bombay Sapphire), o inconsequente (escolhas de objectos dos designers convidados pela MUDE para as FAQ*) e o francamente mau (do négligée intencional ou não dos projectos de estudantes da ETIC); a vídeo-conferência não teve lugar por problemas técnicos, nem alternativa, por falta de planeamento; os resultados expostos do BCC e MCL eram confrangedores (aprender a fazer sushi, arrumar a casa ou fazer yoga, não me parecem as sugestões mais originais, estimulantes ou ricas para abrir um Banco de Conhecimento Comum; propor a reflorestação das serras portuguesas neste contexto, ainda menos!)
Enfim, much ado about nothing.
*neste caso apetece-me dizer "irresponsável", dado que organizada pelo Museu do Design que devia saber o quanto o design sofre de cada vez que estas leituras descontextualizadas são feitas para o grande público: aumentam a desconfiança sobre o design e os designers, associando-os à inconsequência. Noto ainda a falta de uma apresentação convincente, com as explicações apresentadas em folhas de papel singelamente (des)coladas na parede.
Do programa "um projecto cultural que pretende estimular a discussão e o debate crítico de temas actuais, e responder a questões levantadas pela comunidade criativa" retive o Banco de Conhecimento Comum (BCC) e respectivo Mercado de Conhecimento Livre (MCL); um documentário sobre Curitiba, enquanto experiência de urbanismo e sustentabilidade; as Future Asked Questions, com apresentaçao de processos criativos como resposta a essas questões e finalmente a World Changing, uma vídeoconferência de Allex Steffan sobre desenvolvimento sustentável.
Como não consegui assistir a nenhuma das conferências, não me posso pronunciar sobre esses conteúdos. No entanto, a minha deslocação valeu-me um enorme desapontamento.
Pese embora a simpatia dos "hospedeiros" e o entusiasmo ingénuo dos estudantes presentes, muitas coisas não resultaram a favor da credibilidade do projceto.
O espaço não convenceu (a decadência das instalações nem era assumida nem resolvida com a pintura de branco das paredes ou a alcatifa barata a cobrir o chão de madeira, provavelmente carunchento); as exposições presentes variavam entre o minimalista (projectos de copos da Bombay Sapphire), o inconsequente (escolhas de objectos dos designers convidados pela MUDE para as FAQ*) e o francamente mau (do négligée intencional ou não dos projectos de estudantes da ETIC); a vídeo-conferência não teve lugar por problemas técnicos, nem alternativa, por falta de planeamento; os resultados expostos do BCC e MCL eram confrangedores (aprender a fazer sushi, arrumar a casa ou fazer yoga, não me parecem as sugestões mais originais, estimulantes ou ricas para abrir um Banco de Conhecimento Comum; propor a reflorestação das serras portuguesas neste contexto, ainda menos!)
Enfim, much ado about nothing.
*neste caso apetece-me dizer "irresponsável", dado que organizada pelo Museu do Design que devia saber o quanto o design sofre de cada vez que estas leituras descontextualizadas são feitas para o grande público: aumentam a desconfiança sobre o design e os designers, associando-os à inconsequência. Noto ainda a falta de uma apresentação convincente, com as explicações apresentadas em folhas de papel singelamente (des)coladas na parede.
Wednesday, February 13, 2008
Tuesday, February 12, 2008
gosto: cada um com o seu

“Ouça, é uma questão de gosto pessoal”, referiu Sócrates. “Cada qual tem o seu e, modéstia à parte, até considero o meu particularmente erudito.” www.inepcia.com
Ao que parece, uma juiza italiana em visita a Portugal, quando instada a pronunciar-se sobre o nosso país, diz que é muito bonito, mas está uma confusão, entre marquises e azulejos, falta de urbanismo... A contra resposta foi "pois, mas sabe que é muito difícil combater a corrupção que grassa neste meio do imobiliário". Ao que ela contrapõe "Não!! Em Itália, há muito mais corrupção. Vocês têm é mau gosto!" Prós e Contras, 11.02.08
Tuesday, January 29, 2008
a paciência compensa
Depois de alimentar durante várias semanas os pardais do meu terraço, eis que surge um melro curioso que também já trouxe com ele um rabirruivo. Hoje finalmente consegui captar a refeição.
Thursday, January 10, 2008
Wednesday, January 09, 2008
caixas de música a cilindro


consequência das minhas pesquisas sobre pianolas e caixas de música de cilindro deparei com o mundo apaixonante destes pequenos "devices" musicais. Não são baratas. Dar quase 8.000 euros por uma pequena caixa que tem 4 músicas parece-me um exagero, mas acabei de me tornar uma curiosa destes objectos. Têm um certo sabor a infância e elegância misturado com um je-ne-sais-quoi de mistério.
Estes são alguns links às melodias disponíveis, algumas delas de notável complexidade, se pensarmos que se trata apenas de pequenas lamelas metálicas desencontradas.fenómeno II
Uma valente constipação permitiu-me experimentar um estranho fenómeno físico.
Ao que parece a sinusite invadiu o meu ouvido provocando uma infecção. Não dolorosa, mas sensível da maneira mais estranha: de repente a minha cabeça começou a dar-me informações falsas quanto à proveniência dos sons, as distâncias, o volume dos sons...
Mas o mais curioso foi transformar toda a música num enlatado de pianola desafinada. Dei-me conta de manhã, quando liguei o rádio e não havia uma estação sintonizável: todas as músicas, especialmente as que envolviam piano, cordas e voz soavam desafinadas, "desfocadas".
Gostava imenso de conhecer a explicação científica deste fenómeno que transforma completamente a nossa percepção do som e altera a afinação do ouvido, duplicando os sons numa oitava ao lado ??
Ao que parece a sinusite invadiu o meu ouvido provocando uma infecção. Não dolorosa, mas sensível da maneira mais estranha: de repente a minha cabeça começou a dar-me informações falsas quanto à proveniência dos sons, as distâncias, o volume dos sons...
Mas o mais curioso foi transformar toda a música num enlatado de pianola desafinada. Dei-me conta de manhã, quando liguei o rádio e não havia uma estação sintonizável: todas as músicas, especialmente as que envolviam piano, cordas e voz soavam desafinadas, "desfocadas".
Gostava imenso de conhecer a explicação científica deste fenómeno que transforma completamente a nossa percepção do som e altera a afinação do ouvido, duplicando os sons numa oitava ao lado ??
fenómeno I

Correndo o risco de entrar no domínio da caixa de bombons, não resisto a publicar esta imagem que se me apresentou fabulosa. O céu negro com abertas profundamente azuis, as nuvens iluminadas por raios de sol forte e o arco iris constituem um conjunto tão atraente que não é possível deixar de o apreciar, apesar da banalização a que está sujeita.
Monday, December 03, 2007
Arregaçar as mangas ou baixar os braços
Recebi hoje um mail com um pedido de ajuda de uns pais que não desistem de tentar salvar o filho, apesar de o seu caso ser único em Portugal e de as recomendações médicas serem "fazer o que for possível por lhe dar qualidade de vida enquanto cá anda".
São muitos e variados os pedidos de ajuda deste género e começamos a "endurecer" e "relativizar" com os assédios. Mas quando confirmamos a veracidade do caso, conseguimos pôr-nos na pele destas pessoas e é impossível voltar a cara.
Principalmente face à determinação destes pais em conceder uma hipótese de vida ao filho.
Hoje é dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Mutiplicam-se os discursos de necessidade de atenção pelo Estado, mas em cada um de nós pode haver um gesto para minorar os problemas alheios: do simples estacionar fora do passeio para o deixar livre a quem dele precisa, ao contribuir para um caso, ou educar para a compreensão da deficiência e luta pela vida.
O David é de Campo de Besteiros, tem 3 anos e sofre de Mucopolissacaridose Tipo III (doença de San Filippo). Os pais precisam de ajuda financeira para travar a progressão da doença e iniciarem um tratamento experimental que não pode ainda ser feito em Portugal.
NIB 0007 000000 237581975 23
São muitos e variados os pedidos de ajuda deste género e começamos a "endurecer" e "relativizar" com os assédios. Mas quando confirmamos a veracidade do caso, conseguimos pôr-nos na pele destas pessoas e é impossível voltar a cara.
Principalmente face à determinação destes pais em conceder uma hipótese de vida ao filho.
Hoje é dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Mutiplicam-se os discursos de necessidade de atenção pelo Estado, mas em cada um de nós pode haver um gesto para minorar os problemas alheios: do simples estacionar fora do passeio para o deixar livre a quem dele precisa, ao contribuir para um caso, ou educar para a compreensão da deficiência e luta pela vida.
O David é de Campo de Besteiros, tem 3 anos e sofre de Mucopolissacaridose Tipo III (doença de San Filippo). Os pais precisam de ajuda financeira para travar a progressão da doença e iniciarem um tratamento experimental que não pode ainda ser feito em Portugal.
NIB 0007 000000 237581975 23
Friday, November 23, 2007
Democracia
Assiste-se a uma degradação da democracia, no que ela tem de sistema político, de representação da maioria expressa no voto.
A discussão é global, como o atestam iniciativas como a da BBC – Why democracy? (http://www.whydemocracy.net/)
A somar à evidente falta de participação (níveis altíssimos de abstenção) e à crítica expressa nos ignorados votos em branco, encontramos as opiniões expressas em todos os círculos (dos blogs às conversas de café, dos serões de família aos artigos de jornal) que apontam para a ausência de alternativas credíveis de governação no seio dos partidos. Queixamo-nos de uma classe política pouco dedicada ao serviço público, motivada por interesses particulares ou ao serviço dos grandes interesses.
Aparecem cada vez mais movimentos de cidadãos que se organizam fora dos partidos, mas também eles parecem condenados ao fracasso.
O civismo, a participação na coisa pública, o sentimento de responsabilidade para com os demais parece estar demasiado (e perigosamente) ausente da prática dos portugueses.
Podem-se apontar os efeitos de uma economia liberal, a globalização, a superpresença desde tenra idade dos meios de comunicação audio visuais e tecnologia informática, que “empurram” para o consumismo, individualismo e não favorecem a reflexão, a criação ou a solidariedade, que tendem a massificar e nivelar por baixo.
Por outro lado, a falta de independência nacional a nível económico (sentimos que a economia é comandada pelas multinacionais, os jogos do petróleo ou das bolsas) e político (a UE, a ONU, a NATO) associada à inexistência de uma forte identidade ou desígnio nacional conduzem a este estado de espírito demissionário.
“Somos comandados a partir de fora. Não há nada a fazer.”
Será que não?
A discussão é global, como o atestam iniciativas como a da BBC – Why democracy? (http://www.whydemocracy.net/)
A somar à evidente falta de participação (níveis altíssimos de abstenção) e à crítica expressa nos ignorados votos em branco, encontramos as opiniões expressas em todos os círculos (dos blogs às conversas de café, dos serões de família aos artigos de jornal) que apontam para a ausência de alternativas credíveis de governação no seio dos partidos. Queixamo-nos de uma classe política pouco dedicada ao serviço público, motivada por interesses particulares ou ao serviço dos grandes interesses.
Aparecem cada vez mais movimentos de cidadãos que se organizam fora dos partidos, mas também eles parecem condenados ao fracasso.
O civismo, a participação na coisa pública, o sentimento de responsabilidade para com os demais parece estar demasiado (e perigosamente) ausente da prática dos portugueses.
Podem-se apontar os efeitos de uma economia liberal, a globalização, a superpresença desde tenra idade dos meios de comunicação audio visuais e tecnologia informática, que “empurram” para o consumismo, individualismo e não favorecem a reflexão, a criação ou a solidariedade, que tendem a massificar e nivelar por baixo.
Por outro lado, a falta de independência nacional a nível económico (sentimos que a economia é comandada pelas multinacionais, os jogos do petróleo ou das bolsas) e político (a UE, a ONU, a NATO) associada à inexistência de uma forte identidade ou desígnio nacional conduzem a este estado de espírito demissionário.
“Somos comandados a partir de fora. Não há nada a fazer.”
Será que não?
Monday, November 19, 2007
Até que enfim!
Wednesday, November 14, 2007
Seu Jorge II
Ah! É favor desculpar a qualidade da filmagem, que é o melhor que o meu telemóvel permite...
Uma das letras que me atraiu foi "Negro Drama" de Mano Brown, talvez pela forma como foi cantada por Seu Jorge:
Uma das letras que me atraiu foi "Negro Drama" de Mano Brown, talvez pela forma como foi cantada por Seu Jorge:
NEGRO DRAMA, Entre e o sucesso, e a lama. Dinheiro, problemas, Invejas, luxo, fama.
NEGRO DRAMA, Cabelo crespo. E a pele escura. A ferida a chaga, a procura da cura.
NEGRO DRAMA, Tenta vê, e não vê nada, a não ser uma estrela, longe meio ofuscada.
Sente o Drama, o preço, a cobrança, no amor, no ódio, a insana vingança.
NEGRO DRAMA, Eu sei quem trama. E quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um Preto Fudido.
O drama da cadeia e favela, túmulo, sangue, sirene, choros e velas,
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia que sobrevivem, em meia zorra e covardias, periferias,vielas e curtiços,
Você deve tá pensando, o que você tem haver com isso, desde o inicio, por ouro e prata, olha quem morre, Então veja você quem mata, recebe o mérito, a farda, que pratica o mal,
Me vê, pobre, preso ou morto. Já é cultural, histórias, registros, escritos.
Não é conto, nem fábula, lenda ou mito.
Não foi sempre dito, que preto não tem vez, então olha o castelo e não, foi você quem fez Cuzão.
Eu sou irmão, dos meus truta de batalha, eu era a carne, agora sou a própria navalha.
Tim..Tim..um brinde pra mim, sou exemplo, de vitórias, trajetos e glórias.
O dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode arrancar, de dentro dele, a Favela.
São poucos, que entram em campo pra vencer, a alma guarda, o que a mente tenta esquecer.
Olho pra traz, vejo a estrada que eu trilhei, mó corre, quem teve lado a lado, e quem só ficou na bota, entre as frases, fases e várias etapas, Do quem é quem, dos Manos e das Minas fraca, Hum..
NEGRO DRAMA de estilo. Pra ser, se for, tem que ser, se temer é milho.
Entre o gatilho e a tempestade, sempre a provar, que sou homem e não covarde.
Que Deus me guarde, pois eu sei, que ele é neutro, vigia os ricos, mas ama os que vem do Gueto.
Eu visto Preto, por dentro e por fora,
Guerreiro, poeta entre o tempo e a memória, hora.
Nessa história, vejo o dolar, e vários quilates. Falo pro mano, que não morra, e também não mate. O Tic Tac, não espera veja o ponteiro, essa estrada é venenosa, e cheia de morteiro. Pesadelo. Hum...
É um elogio, pra quem vive na guerra, A PAZ Nunca existiu, num clima quente, a minha gente soa frio. Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil.
NEGRO DRAMA,
Crime, futebol, música, caraio, eu também, consegui fugir disso aí, eu sou mais um, Forrest Gump é mato, eu prefiro contá uma história real. Vô conta a minha... Daria um filme. Uma negra, e uma criança nos braços, solitária na floresta, de concreto e aço.
Veja, olha outra vez, o rosto na multidão, a multidão é um monstro, sem rosto e coração.
Hey, São Paulo, terra de arranha-céu, a garoa rasga a carne, é a Torre de Babel.
Família Brasileira, 2 contra o mundo, mãe solteira, de um promissor, vagabundo,
Luz, câmera e acção. Gravando a cena vai, o bastardo, mais um filho pardo, sem pai.
Hey, Senhor de engenho, eu sei, bem quem é você, é sozinho, cê num guenta, sozinho, se num guenta a pé. Se disse que era bom, e as favela ouviu,mas também tem Whiski, e Red Bull, Tênis Nike, Fuzil.
Admito, seu carro é bonito, Hé, E eu não sei fazer, internet, video-cassete, os carro loko,
Atrasado, Eu tô um pouco sim, tô. Eu acho sim, só que tem que, seu jogo é sujo, e eu não me encacho, eu sô problema de montão, de carnaval a carnaval. Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal.
Problema com escola, eu tenho mil. Mil fita, inacreditável, mas seu filho me imita. No meio de vocês, ele é o mais esperto. Ginga, fala gíria, gíria não dialeto. Esse não é mais seu, Hó, Subiu.
Entrei pelo seu rádio, tomei, se nem viu, nós é isso, aquilo, o que, senão dizia, seu filho quer ser preto. Rhá, que ironia,
Cola o pôster do Tupac ae. Que tal. Que se diz. Sente o NEGRO DRAMA. Vai, tenta ser feliz.
Hey bacana, quem te fez tão bom assim, o que se deu, o que se faz, o que se fez por mim,
Eu recebi seu Tic, quer dizer Kit, de esgoto a céu aberto, e parede madeirite. De vergonha eu não morri, tô firmão, eis me aqui. Você não, cê não passa, quando o Mar Vermelho abrir.
Eu sou o mano Homem duro, do gueto, Brown. Oba, aquele loko, que não pode errar, aquele que você odeia, mas nesse instante, pele parda, ouço Funk.
E de onde vem, os diamante, da lama. Valeu mãe,
NEGRO DRAMA, DRAMA, DRAMA.
NEGRO DRAMA, Cabelo crespo. E a pele escura. A ferida a chaga, a procura da cura.
NEGRO DRAMA, Tenta vê, e não vê nada, a não ser uma estrela, longe meio ofuscada.
Sente o Drama, o preço, a cobrança, no amor, no ódio, a insana vingança.
NEGRO DRAMA, Eu sei quem trama. E quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um Preto Fudido.
O drama da cadeia e favela, túmulo, sangue, sirene, choros e velas,
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia que sobrevivem, em meia zorra e covardias, periferias,vielas e curtiços,
Você deve tá pensando, o que você tem haver com isso, desde o inicio, por ouro e prata, olha quem morre, Então veja você quem mata, recebe o mérito, a farda, que pratica o mal,
Me vê, pobre, preso ou morto. Já é cultural, histórias, registros, escritos.
Não é conto, nem fábula, lenda ou mito.
Não foi sempre dito, que preto não tem vez, então olha o castelo e não, foi você quem fez Cuzão.
Eu sou irmão, dos meus truta de batalha, eu era a carne, agora sou a própria navalha.
Tim..Tim..um brinde pra mim, sou exemplo, de vitórias, trajetos e glórias.
O dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode arrancar, de dentro dele, a Favela.
São poucos, que entram em campo pra vencer, a alma guarda, o que a mente tenta esquecer.
Olho pra traz, vejo a estrada que eu trilhei, mó corre, quem teve lado a lado, e quem só ficou na bota, entre as frases, fases e várias etapas, Do quem é quem, dos Manos e das Minas fraca, Hum..
NEGRO DRAMA de estilo. Pra ser, se for, tem que ser, se temer é milho.
Entre o gatilho e a tempestade, sempre a provar, que sou homem e não covarde.
Que Deus me guarde, pois eu sei, que ele é neutro, vigia os ricos, mas ama os que vem do Gueto.
Eu visto Preto, por dentro e por fora,
Guerreiro, poeta entre o tempo e a memória, hora.
Nessa história, vejo o dolar, e vários quilates. Falo pro mano, que não morra, e também não mate. O Tic Tac, não espera veja o ponteiro, essa estrada é venenosa, e cheia de morteiro. Pesadelo. Hum...
É um elogio, pra quem vive na guerra, A PAZ Nunca existiu, num clima quente, a minha gente soa frio. Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil.
NEGRO DRAMA,
Crime, futebol, música, caraio, eu também, consegui fugir disso aí, eu sou mais um, Forrest Gump é mato, eu prefiro contá uma história real. Vô conta a minha... Daria um filme. Uma negra, e uma criança nos braços, solitária na floresta, de concreto e aço.
Veja, olha outra vez, o rosto na multidão, a multidão é um monstro, sem rosto e coração.
Hey, São Paulo, terra de arranha-céu, a garoa rasga a carne, é a Torre de Babel.
Família Brasileira, 2 contra o mundo, mãe solteira, de um promissor, vagabundo,
Luz, câmera e acção. Gravando a cena vai, o bastardo, mais um filho pardo, sem pai.
Hey, Senhor de engenho, eu sei, bem quem é você, é sozinho, cê num guenta, sozinho, se num guenta a pé. Se disse que era bom, e as favela ouviu,mas também tem Whiski, e Red Bull, Tênis Nike, Fuzil.
Admito, seu carro é bonito, Hé, E eu não sei fazer, internet, video-cassete, os carro loko,
Atrasado, Eu tô um pouco sim, tô. Eu acho sim, só que tem que, seu jogo é sujo, e eu não me encacho, eu sô problema de montão, de carnaval a carnaval. Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal.
Problema com escola, eu tenho mil. Mil fita, inacreditável, mas seu filho me imita. No meio de vocês, ele é o mais esperto. Ginga, fala gíria, gíria não dialeto. Esse não é mais seu, Hó, Subiu.
Entrei pelo seu rádio, tomei, se nem viu, nós é isso, aquilo, o que, senão dizia, seu filho quer ser preto. Rhá, que ironia,
Cola o pôster do Tupac ae. Que tal. Que se diz. Sente o NEGRO DRAMA. Vai, tenta ser feliz.
Hey bacana, quem te fez tão bom assim, o que se deu, o que se faz, o que se fez por mim,
Eu recebi seu Tic, quer dizer Kit, de esgoto a céu aberto, e parede madeirite. De vergonha eu não morri, tô firmão, eis me aqui. Você não, cê não passa, quando o Mar Vermelho abrir.
Eu sou o mano Homem duro, do gueto, Brown. Oba, aquele loko, que não pode errar, aquele que você odeia, mas nesse instante, pele parda, ouço Funk.
E de onde vem, os diamante, da lama. Valeu mãe,
NEGRO DRAMA, DRAMA, DRAMA.
Seu Jorge, valeu!
Numa decisão repentina, fomos ver o Seu Jorge ao Teatro Mundial num espectáculo intimista para não mais de 200 pessoas, que nos rendeu duas horas de encantamento e boa disposição.
A simplicidade da comunicação e o bom humor não retiraram uma vírgula a meia dúzia de mensagens importantes, ditas entre episódios de vida e muito boa música.
Valeu muito a pena!
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