Tuesday, January 29, 2008

a paciência compensa

Depois de alimentar durante várias semanas os pardais do meu terraço, eis que surge um melro curioso que também já trouxe com ele um rabirruivo. Hoje finalmente consegui captar a refeição.

Wednesday, January 09, 2008

caixas de música a cilindro




consequência das minhas pesquisas sobre pianolas e caixas de música de cilindro deparei com o mundo apaixonante destes pequenos "devices" musicais. Não são baratas. Dar quase 8.000 euros por uma pequena caixa que tem 4 músicas parece-me um exagero, mas acabei de me tornar uma curiosa destes objectos. Têm um certo sabor a infância e elegância misturado com um je-ne-sais-quoi de mistério.
Estes são alguns links às melodias disponíveis, algumas delas de notável complexidade, se pensarmos que se trata apenas de pequenas lamelas metálicas desencontradas.






fenómeno II

Uma valente constipação permitiu-me experimentar um estranho fenómeno físico.
Ao que parece a sinusite invadiu o meu ouvido provocando uma infecção. Não dolorosa, mas sensível da maneira mais estranha: de repente a minha cabeça começou a dar-me informações falsas quanto à proveniência dos sons, as distâncias, o volume dos sons...
Mas o mais curioso foi transformar toda a música num enlatado de pianola desafinada. Dei-me conta de manhã, quando liguei o rádio e não havia uma estação sintonizável: todas as músicas, especialmente as que envolviam piano, cordas e voz soavam desafinadas, "desfocadas".
Gostava imenso de conhecer a explicação científica deste fenómeno que transforma completamente a nossa percepção do som e altera a afinação do ouvido, duplicando os sons numa oitava ao lado ??

fenómeno I



Correndo o risco de entrar no domínio da caixa de bombons, não resisto a publicar esta imagem que se me apresentou fabulosa. O céu negro com abertas profundamente azuis, as nuvens iluminadas por raios de sol forte e o arco iris constituem um conjunto tão atraente que não é possível deixar de o apreciar, apesar da banalização a que está sujeita.

Monday, December 03, 2007

Arregaçar as mangas ou baixar os braços

Recebi hoje um mail com um pedido de ajuda de uns pais que não desistem de tentar salvar o filho, apesar de o seu caso ser único em Portugal e de as recomendações médicas serem "fazer o que for possível por lhe dar qualidade de vida enquanto cá anda".

São muitos e variados os pedidos de ajuda deste género e começamos a "endurecer" e "relativizar" com os assédios. Mas quando confirmamos a veracidade do caso, conseguimos pôr-nos na pele destas pessoas e é impossível voltar a cara.
Principalmente face à determinação destes pais em conceder uma hipótese de vida ao filho.

Hoje é dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Mutiplicam-se os discursos de necessidade de atenção pelo Estado, mas em cada um de nós pode haver um gesto para minorar os problemas alheios: do simples estacionar fora do passeio para o deixar livre a quem dele precisa, ao contribuir para um caso, ou educar para a compreensão da deficiência e luta pela vida.

O David é de Campo de Besteiros, tem 3 anos e sofre de Mucopolissacaridose Tipo III (doença de San Filippo). Os pais precisam de ajuda financeira para travar a progressão da doença e iniciarem um tratamento experimental que não pode ainda ser feito em Portugal.
NIB 0007 000000 237581975 23

Friday, November 23, 2007

Democracia

Assiste-se a uma degradação da democracia, no que ela tem de sistema político, de representação da maioria expressa no voto.

A discussão é global, como o atestam iniciativas como a da BBC – Why democracy? (http://www.whydemocracy.net/)

A somar à evidente falta de participação (níveis altíssimos de abstenção) e à crítica expressa nos ignorados votos em branco, encontramos as opiniões expressas em todos os círculos (dos blogs às conversas de café, dos serões de família aos artigos de jornal) que apontam para a ausência de alternativas credíveis de governação no seio dos partidos. Queixamo-nos de uma classe política pouco dedicada ao serviço público, motivada por interesses particulares ou ao serviço dos grandes interesses.
Aparecem cada vez mais movimentos de cidadãos que se organizam fora dos partidos, mas também eles parecem condenados ao fracasso.

O civismo, a participação na coisa pública, o sentimento de responsabilidade para com os demais parece estar demasiado (e perigosamente) ausente da prática dos portugueses.
Podem-se apontar os efeitos de uma economia liberal, a globalização, a superpresença desde tenra idade dos meios de comunicação audio visuais e tecnologia informática, que “empurram” para o consumismo, individualismo e não favorecem a reflexão, a criação ou a solidariedade, que tendem a massificar e nivelar por baixo.

Por outro lado, a falta de independência nacional a nível económico (sentimos que a economia é comandada pelas multinacionais, os jogos do petróleo ou das bolsas) e político (a UE, a ONU, a NATO) associada à inexistência de uma forte identidade ou desígnio nacional conduzem a este estado de espírito demissionário.
“Somos comandados a partir de fora. Não há nada a fazer.”

Será que não?

Alternativa à chuva



















Porque nem só de chuva se alimenta a alma...

Monday, November 19, 2007

Até que enfim!


Quase ninguém aprecia dias de chuva, mas eu confesso que já tinha saudades. De acabar com a secura, de acordar com tudo escuro, de estremecer à saída do banho. Ah, chuva bâoa!

Wednesday, November 14, 2007

Seu Jorge II

Ah! É favor desculpar a qualidade da filmagem, que é o melhor que o meu telemóvel permite...


Uma das letras que me atraiu foi "Negro Drama" de Mano Brown, talvez pela forma como foi cantada por Seu Jorge:

NEGRO DRAMA, Entre e o sucesso, e a lama. Dinheiro, problemas, Invejas, luxo, fama.
NEGRO DRAMA, Cabelo crespo. E a pele escura. A ferida a chaga, a procura da cura.
NEGRO DRAMA, Tenta vê, e não vê nada, a não ser uma estrela, longe meio ofuscada.
Sente o Drama, o preço, a cobrança, no amor, no ódio, a insana vingança.

NEGRO DRAMA, Eu sei quem trama. E quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um Preto Fudido.
O drama da cadeia e favela, túmulo, sangue, sirene, choros e velas,
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia que sobrevivem, em meia zorra e covardias, periferias,vielas e curtiços,

Você deve tá pensando, o que você tem haver com isso, desde o inicio, por ouro e prata, olha quem morre, Então veja você quem mata, recebe o mérito, a farda, que pratica o mal,
Me vê, pobre, preso ou morto. Já é cultural, histórias, registros, escritos.
Não é conto, nem fábula, lenda ou mito.
Não foi sempre dito, que preto não tem vez, então olha o castelo e não, foi você quem fez Cuzão.
Eu sou irmão, dos meus truta de batalha, eu era a carne, agora sou a própria navalha.
Tim..Tim..um brinde pra mim, sou exemplo, de vitórias, trajetos e glórias.
O dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode arrancar, de dentro dele, a Favela.

São poucos, que entram em campo pra vencer, a alma guarda, o que a mente tenta esquecer.
Olho pra traz, vejo a estrada que eu trilhei, mó corre, quem teve lado a lado, e quem só ficou na bota, entre as frases, fases e várias etapas, Do quem é quem, dos Manos e das Minas fraca, Hum..

NEGRO DRAMA de estilo. Pra ser, se for, tem que ser, se temer é milho.
Entre o gatilho e a tempestade, sempre a provar, que sou homem e não covarde.
Que Deus me guarde, pois eu sei, que ele é neutro, vigia os ricos, mas ama os que vem do Gueto.

Eu visto Preto, por dentro e por fora,
Guerreiro, poeta entre o tempo e a memória, hora.
Nessa história, vejo o dolar, e vários quilates. Falo pro mano, que não morra, e também não mate. O Tic Tac, não espera veja o ponteiro, essa estrada é venenosa, e cheia de morteiro. Pesadelo. Hum...
É um elogio, pra quem vive na guerra, A PAZ Nunca existiu, num clima quente, a minha gente soa frio. Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil.

NEGRO DRAMA,
Crime, futebol, música, caraio, eu também, consegui fugir disso aí, eu sou mais um, Forrest Gump é mato, eu prefiro contá uma história real. Vô conta a minha... Daria um filme. Uma negra, e uma criança nos braços, solitária na floresta, de concreto e aço.
Veja, olha outra vez, o rosto na multidão, a multidão é um monstro, sem rosto e coração.
Hey, São Paulo, terra de arranha-céu, a garoa rasga a carne, é a Torre de Babel.
Família Brasileira, 2 contra o mundo, mãe solteira, de um promissor, vagabundo,
Luz, câmera e acção. Gravando a cena vai, o bastardo, mais um filho pardo, sem pai.

Hey, Senhor de engenho, eu sei, bem quem é você, é sozinho, cê num guenta, sozinho, se num guenta a pé. Se disse que era bom, e as favela ouviu,mas também tem Whiski, e Red Bull, Tênis Nike, Fuzil.
Admito, seu carro é bonito, Hé, E eu não sei fazer, internet, video-cassete, os carro loko,

Atrasado, Eu tô um pouco sim, tô. Eu acho sim, só que tem que, seu jogo é sujo, e eu não me encacho, eu sô problema de montão, de carnaval a carnaval. Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal.
Problema com escola, eu tenho mil. Mil fita, inacreditável, mas seu filho me imita. No meio de vocês, ele é o mais esperto. Ginga, fala gíria, gíria não dialeto. Esse não é mais seu, Hó, Subiu.
Entrei pelo seu rádio, tomei, se nem viu, nós é isso, aquilo, o que, senão dizia, seu filho quer ser preto. Rhá, que ironia,
Cola o pôster do Tupac ae. Que tal. Que se diz. Sente o NEGRO DRAMA. Vai, tenta ser feliz.

Hey bacana, quem te fez tão bom assim, o que se deu, o que se faz, o que se fez por mim,
Eu recebi seu Tic, quer dizer Kit, de esgoto a céu aberto, e parede madeirite. De vergonha eu não morri, tô firmão, eis me aqui. Você não, cê não passa, quando o Mar Vermelho abrir.
Eu sou o mano Homem duro, do gueto, Brown. Oba, aquele loko, que não pode errar, aquele que você odeia, mas nesse instante, pele parda, ouço Funk.
E de onde vem, os diamante, da lama. Valeu mãe,
NEGRO DRAMA, DRAMA, DRAMA.

Seu Jorge, valeu!





Numa decisão repentina, fomos ver o Seu Jorge ao Teatro Mundial num espectáculo intimista para não mais de 200 pessoas, que nos rendeu duas horas de encantamento e boa disposição.
A simplicidade da comunicação e o bom humor não retiraram uma vírgula a meia dúzia de mensagens importantes, ditas entre episódios de vida e muito boa música.
Valeu muito a pena!

Monday, November 12, 2007

Corrida pela Terra
























































Está em Lisboa o Earthrace. Estacionado no cais de Alcântara, é sem dúvida um belo e elegante trimaran (nunca sei como chamar as coisas pelos nomes certos no meio naval)!

A ideia de demonstrar as potencialidades do biodiesel através de um caso extremo, também parece resultar bem.
Foi desenhado com um sistema de perfuração das ondas que se torna fundamental para bater o recorde de circumnavegação do globo. Permite ao barco avançar continuamente em alta velocidade, tanto quando o mar está calmo como agitado.

Pode acompanhar o percurso através do Tracplus (o pequeno globo à direita) em http://www.earthrace.net/

Prazeres

































Os cemitérios podem ser locais de interessante exploração gráfica.

O dos Prazeres é particularmente rico em exemplos.
1 de Novembro de 2007.

Como é possível?

Segundo o site www.cienciahoje.pt "a Organização Mundial de Saúde indicou recentemente que o mundo conta agora com mais adultos com excesso de peso do que com pessoas subnutridas. Segundo a OMS, mais de mil milhões de adultos são vítima de excesso de peso, dos quais pelo menos 300 milhões são obesos, enquanto 800 milhões passam fome."

Não ter nada para comer, deixa muito poucas opções e torna a existência de fome - embora inaceitável - explicável.
Ter variedade e quantidade, estar informado dos perigos de uma alimentação anormal, torna a obesidade um indício de falta de disciplina, de controlo e, de certa maneira, de inteligência.

Saturday, November 10, 2007

Teorias

A teoria é olhada com desconfiança pelos tecnocratas.
Temem o "atraso" que provoca na marcha para diante. Entende-se que se queira avançar pelo efeito paralisador que tiveram anos de governação sem espinha dorsal, de medidas avulsas, excesso de diálogo e de meios.
Mas hoje em dia governa-se sem Norte, segue-se no regime de navegação à vista.

A reflexão é urgente porque não podemos ignorar os efeitos de agir sem planeamento. Porque são evidentes as falências do sistema, até à escala global. E porque não devemos perpetuar o erro.
É claro que pode acontecer que à chegada ao abismo esteja a solução.
Que a mudança de comportamentos que se exige, só se consiga, não por reflexão e conscientemente, mas por inevitabilidade.
As pessoas parecem conseguir reagir apenas aos cenários extremos e reconstruir a partir do nada.

A iniciativa da Gulbenkian de promover um debate sobre o Estado do Mundo é tão ambiciosa quanto louvável. Convidou pensadores que levaram a cabo um ciclo de lições "A urgência da teoria", com reflexões que deveriam ter sido alvo de atenção, discussão e publicidade.
Infelizmente, temo que as ideias, sugestões, críticas e análises que poderiam ser tão estimulantes, vão ficar encerradas no papel e nas prateleiras de alguns poucos, que acabam por as consumir como romances, incapazes de suster a onda de indiferença que nos atinge.

Friday, November 09, 2007

Thursday, November 08, 2007

bem visto

Belo comentário que a minha amiga A. fez "os melhores anos da minha vida foram os anos 40, ainda que não tivesse nascido! Deram-me um imaginário com tanto glamour..."

Desapareceram também!

arranjadoras de meias de vidro; entregador de jornais; leiteira; polícia sinaleiro

Desapareceram!

lápis com tabuada; livrinho de significados; papel mata borrão; cartões de visita de luto; envelopes forrados a papel de seda; chapéus de chuva de chocolate; jogo de furos da Regina; chicletes em forma de cigarro; máquinas de afiar lápis; máquina de escrever; transferidor; tipómetro; tira-linhas; letraset; papel colorido da mecanorma; isqueiros de pedra de cozinha; máquina de cegar caldo verde; disquete e floppy disk; porta bolos de confeitaria; carrinhos de rolamentos; pão com marmelada; bolinhas de serradura com elástico; aquele jogo de duas bolas que faziam negras nas mãos...