Tuesday, March 17, 2009

a writing a day


Encontrei no outro dia um movimento internacional muito curioso que se chama "A Painting a day". Aquelas almas esmeram-se no apuro técnico e todos os dias fazem uma pequena pintura que depois põem à venda por valores quase simbólicos (para os interessados o link é: http://dailypainters.com/about/join_daily_painters_gallery.php).
A ideia de persistência e dedicação é que me atraiu.

E apetecia-me aplicar o princípio a daily writing, daily gardening, daily studying.
Para já, para já, tem sido daily working.

Monday, January 05, 2009

Homenagem a uma amiga

Começou o ano, mas o meu deixou-me mais pobre. Perdi uma amiga, uma presença constante de música sob o meu chão, uma boa oportunidade de conversa interessante, com histórias de artistas, escritores, viagens, com debates desinteressado de ideias, daqueles em que ninguém quer sair vencedor, mas apenas interessa ouvir pontos divergentes ou tantas vezes convergentes de opinião. Morreu a Maria de Lourdes Franca e o céu vestiu-se de cinza.
Estes acontecimentos levam-me a pensar em várias coisas: que vale a pena dar mais tempo aos amigos; que vale a pena cultivar a "cultura", porque os livros, os museus, a arte dão-nos um olhar mais atento a tudo o resto, enriquecem-nos interiormente e inspiram-nos à mudança; que é quando passamos o que nos apaixona aos outros que nos estamos também a perpetuar e a justificar a nossa estadia por cá.

Friday, December 05, 2008

Hoje tenho companhia!

Estou aqui ao lado do meu querido amigo P. a demonstrar-lhe como se publicam posts nos blogs, porque ele está a começar de fresquinho nestas avenuras.
Boa sorte P.!

Thursday, December 04, 2008

Portugal tecnológico




Eu só queria um aquecedor a gás... e fiz quilómetros para juntar o puzzle, porque é tudo vendido separado!!!
Ah! ainda tive que comprar a mangueira numa drogaria, mas como foi ali perto nem conta!
Tudo isto depois de ter tentado comprar através da própria Galp. Têm um site, com ofertas tentadoras de botija, redutor, mangueira e acessórios, entregam em casa, aceitam a encomenda, mas 4 dias depois telefonam-me de volta a dizer que afinal se enganaram e afinal já não podem receber encomendas por telefone e afinal também nem sabiam quando havia para entrega!
Se juntarmos a isto a falta de gás de botija na cidade de Lisboa não se pode dizer que a Galp seja uma empresa modelo.

Thursday, November 13, 2008

quando até os saloios são gourmet


Gourmet is a cultural ideal associated with the culinary arts of fine food and drink, or haute cuisine. The term and its associated practices may have negative connotations of elitism or snobbery, but is often used positively to describe people of refined taste and passion.

Saloio (do árabe çahroi, do campo):
camponês dos arrabaldes de Lisboa; fig: rústico, grosseiro, finório, velhaco.

Não sei... mas há aqui qualquer coisa que não combina.

Friday, November 07, 2008

inadmissível!


Assisti chocada a esta cena no aeroporto: uma criança cuja camisa empinava, fruto de uma barriga proeminente, cujo andar impressionava por se balançar de um pé para o outro, pegou livremente num saco de plástico e encheu-o de gomas, que começou a comer desvairadamente, mesmo antes de as pagar.
Como é possível nos dias de hoje ainda haver pais tão inconscientes?
E a criança lá foi ter com a sua mãe que a acolheu com festas e que fez um esgar desconfiado quando a empregada lhe foi cobrar as compras. Mas controle sobre o apetite do petiz...népias.

Thursday, October 30, 2008

projecto


Por agora é apenas a imagem que identifica o que pretendo fazer.

Wednesday, October 29, 2008

fast forward


Habitualmente parece que temos mais facilidades em congregar os nossos esforços para registarmos e fixarmos as coisas más que nos sucedem, ou que sucedem ao mundo e com as quais nos indignamos.
É verdade que o sofrimento traz crescimento, mas enfrentá-lo não significa apenas coleccionar ou tomar conhecimento dos aspectos negativos. Alimentar a "crise" não nos predispõe à sua resolução, pelo contrário, encasula-nos e desmoraliza de forma contagiante.

Por isso decidi focar-me em coisas boas, convocar boas ideias, boas memórias.
Decidi relativizar, porque, como dizia um amigo meu "antes ser quem sou hoje do que rei há 300 anos, sem internet!", sabendo que temos hoje acesso a mais conhecimento e tecnologia do que nunca, temos uma esperança de vida crescente e duplicada em relação a dois séculos atrás, experimentámos bem estar e temos uma quantidade de bens impensável há algumas décadas, queixarmo-nos da crise é ter memória curta e ignorar que se pode ser feliz com menos.
E decidi adoptar um olhar optimista, pensando que esta é uma boa oportunidade de se redescobrirem outros valores, menos materiais, de assentar a nossa tranquilidade na velha fórmula do "ser em vez do ter".

É que já não se aguenta tanto "zinzento"!

As imagens, de contraste notável, pertencem a um estudo de Peter Menzel sobre a alimentação no mundo (Hungry Planet) em www.menzelphoto.com/books

Tuesday, October 28, 2008

não!

Não!
É uma frase completa, não o início de um processo de negociação.

em Oprah Winfrey

Saturday, October 04, 2008

é mais pelo prazer da lista...

tirar roupa da corda
estender roupa
paginar um capítulo do livro
mandar mails
tirar loiça da máquina
arrumar loiça
pôr roupa na máquina
limpar vidros
arrumar roupa
limpar a cozinha
limpar a varanda
reciclar lixo

Hoje, sábado, fui ler para a Gulbenkian. Ler em pé, prazer raramente feito em comum.
Weltliteratur. É uma exposição estranha para os dias de hoje, de frenesim, em que se acredita que o movimento salva tudo e desperta o interesse.
Esta exposição pode não ser para todos, mas ainda bem que existe, porque os que lá vão
permanecem por prazer. As palavras lidas são mais ricas a despertar emoções.

fazer compras
arrumar compras
estender roupa
pôr roupa na máquina
fazer cama de lavado
aspirar a casa
limpar o pó
limpar as casas de banho
estender a roupa
dobrar meias
fazer jantar


não me estou a queixar! nem fiz tudo sozinha, mas esta lista ajudou-me a perceber porque é que às vezes ando cansada e a quantidadde de trabalho que há a fazer numa casa.

custa tão pouco...

Ontem, antes do cinema, num jantar normal de um restaurante normal destes franchisings que abundam em centros comerciais, fomos servidos de uma forma que deveria ser normal, mas que se tornou a excepção*.

O empregado era educado, atendeu o pedido com prontidão, pediu desculpa pelo atraso no serviço de cozinha (expectável dado o surpreendente movimento que não deixava uma mesa vaga e mantinha filas de pessoas às portas de todos os restaurantes, apesar da crise!), a refeição estava bem feita, houve sempre uma palavra educada a acompanhar a entrega das bebidas ou do talher sobresselente. O normal!

Salientei o profissionalismo e simpatia ao empregado quando lhe paguei a conta e ele agradeceu de forma sincera. E acrescentou na sua pronúncia brasileira "hoje em particular agradeço as suas palavras; faço anos e sinto-as como um presente de aniversário".

Custa tão pouco fazermos a vida uns dos outros mais fácil...

* por acaso, e para ser absolutamente honesta, naquele centro comercial (o Allegro) talvez por estar a começar, a simpatia dos funcionários é uma constante em quase todas as lojas.

Friday, October 03, 2008

no estrangeiro

De cada vez que tenho oportunidade de assistir a uma conferência, visitar uma exposição ou simplesmente deambular pela cidade sem objectivo nem obrigação, sinto-me como se estivesse no estrangeiro. De férias no estrangeiro.
É que as saídas lá fora têm esse condão de nos devolver um olhar atento e aberto à novidade que perdemos nas rotinas do quotidiano. E essas conferências ou visitas projectam-nos para novas ideias ou velhos mundos.

Foi o caso de duas palestras a que assisti no fim de tarde da última quinta feira, uma pérola inesperada por 5 euros, organizada pela Agência Lisboa E-Nova.
O tema: Place Making; os oradores Cynthia Nikitin (do Project for Public Spaces www.pps.org) e Mário Alves (Assessor do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa para a área da mobilidade).

Entre descrições de projectos mais ou menos bem sucedidos, dos problemas que se enfrentam para convencer os poderes públicos e os investidores privados da importância do espaço público, foi um desfiar de exemplos, teorias e práticas, sugestões de leitura, estimulantes e inspiradores.

Lembraram-me as investigações do George Perec baseadas nas observações da cidade a partir de uma esquina.

Deixo algumas referências interessantes:
http://www.mentalspeedbumps.com
http://improveverywhere.com/2008/01/31/frozen-grand-central/ (os responsáveis por aquela iniciativa extraordinária de "congelar" as pessoas na Grand Central Station em NY)
http://www.wired.com/wired/archive/12.12/traffic.html (artigo sobre Hans Monderman, engenheiro de trânsito com uma visão radical sobre o assunto)

e uma boa frase ouvida durante a conferência: "Even falling on your face is moving forward"

Sunday, September 28, 2008

Genesis 1, 27


Morreu Paul Newman.
Há pouco a dizer quando o homem mais bonito da história do mundo nos deixa...
Bom actor, discreto e charmosamente distante, inteligentemente preocupado com os outros, monogâmico... o homem era quase perfeito e fácil de se manter na nossa memória.

Obrigada às amigas que se lembraram que eu ia ficar triste!

Friday, September 26, 2008

dúvidas fiscais

Porque é que existe a figura "Consulta de mesa" em restaurantes e cafés?

Será que a mulher-a-dias do Ministro das Finanças passa recibo?

Ascot e l'Omo



quem tem melhor inspiração?

Thursday, September 25, 2008

à la recherche du temps perdu

tempo moscas*




esta manhã acordei convencida que estávamos em terça-feira, e afinal já vamos em quinta!
Fui virtualmente roubada nesta semana em dois dias, porque o tempo está a voar; escapa-se-me a toda a hora, todos os dias e todos os anos. Fiz 44 quase sem dar por ela, já consigo dizer frases "há 25 anos atrás" e no entanto lembro-me disso como se fosse no ano passado.

As listas de coisas a ver, a fazer, a estudar empilham-se e soterram-me, porque nunca vai haver tempo para classificar e arrumar todas as fotografias que tirei, estudar os países que não encontro no mapa e os reis que teimo em esquecer, telefonar e escrever aos amigos que me podem começar a ignorar, visitar os 100 museus de Lisboa, ler os 3000 livros que tenho em casa, aprender o espanhol, o morse, a linguagem gestual e o mandarim e gozar por nada fazer.
É. Nunca mais tive, como dizia uma irmã minha, aquela sensação de férias, de desresponsabilidade, de me sentar sem culpas nem ânsias a ver o tempo a passar.

*tradução literal

Monday, September 22, 2008

Davids e Golias

Os portugueses - que têm uma natureza já de si dramática e com tendências catastrofistas - encontram na conjuntura internacional de crise económica uma forma de aguçar os apetites de tragédia.

Hoje ouvi uma entrevista a uma cidadã algarvia que se queixava de que a enxurrada que sofreram na noite de Domingo (parece que por culpa de uma obra mal feita do Polis) a ia obrigar a fechar a loja e despedir as 4 funcionárias, porque os bens que lá tinha, ficaram debaixo de água.
Que economia resiste com exemplos de empresários deste tipo que sossobram ao primeiro embate? Não há seguros ou margens de manobra para aguentar qualquer contrariedade?

No extremo oposto, aparecem exemplos que roçam o surrealimo. É o caso de uma fábrica de componentes de automóveis em Nelas, a Borgstena, que depois de assistir à destruição das instalações pela segunda vez (o incêndio aconteceu no mesmo dia do ano 2006), se propõe reconstruir tudo para manter os 320 postos de trabalho.
Ah, valentes!

Wednesday, September 03, 2008

de pôr e tirar



www.sleevesclothing.com

o mundo é feito de mudança


Por que é que tanta gente à minha volta anda a sentir-se de pernas para o ar, desmotivada, entristecida, aflita, por causa da falta de dinheiro e perspectivas, porque não têm estabilidade aos 40, porque os dias se sucedem sem glória nem novidade, porque lhes faltam motivos para acordar ou seguir em frente, porque não sentem evolução?

A primeira coisa que me ocorre é que as pessoas se habituam muito rapidamente a um mapa, um projecto mental que construiram sobre si e que os desvios lhes causam sofrimento. Ainda não navegam por GPS, onde a simpática menina lhes corrige a "ruta" e apresenta alternativas.
Habituam-se a criar um modelo de vida que inclui evolução (leia-se sucesso económico, progressão na carreira), estabilidade (empregos de uma vida, reforma garantida, tecto próprio a prestações suaves), mas que também cria esterótipos de comportamento (não se pode andar de cavalo para burro; não se "descompra" uma casa para alugar outra num sítio mais económico; não se bate à porta de uma "instituição" a propôr projectos, espera-se por um contacto ou movem-se influências).

A segunda coisa que me ocorre é que as pessoas assentam a sua vida fundamentalmente sobre uma base material, económica. E quando ela falha ou se altera, sofrem.
Começam logo por ter hábitos de funcionamento e um padrão de consumo exigentes.
Ao ver outro dia um divertido filme italiano que se situava no pós-guerra de 45 (Le Ragazze di San Frediano) apercebi-me da distância que há entre a actual noção de "dificuldades" e a realmente existente nessa época: ali não havia o que comer, as pessoas inventavam e aceitavam todos os trabalhos, deslocavam-se de fato e gravata em bicicleta...
Provavelmente precisamos de muito menos do que temos.
E decididamente precisamos muito mais do que perdemos: tempo para pensar e estabelecer prioridades, tempo para os outros, tempo para apreciar.