Monday, May 26, 2008

plágio ou inspiração?



Gosto imenso do trabalho de Joseph Cornell (USA, 1903-1972), em quem tropecei em livro antes de o reconhecer em museus.
As suas colagens e montagens são românticas, harmónicas na cor e na composição (parece nunca terem nada a mais), mas acima de tudo inspiradoras. Tão tentadoramente inspiradoras, que apetece quase repeti-las com os materiais que nos são familiares e nossos.
Aliás, a quem é que nunca aconteceu pensar "porque é que não fui eu a lembrar-me disto!"

Com o bombardeio repetido
de imagens a que somos sujeitos, às vezes é difícil distinguir a linha da inspiração da do plágio, porque tudo se mistura e sucede no nosso subconsciente.
E ao formular uma solução tudo se nos apresenta como novo.
Por isso me apetece por vezes uma atmosfera limpa, desprovida de estímulos, para perceber o que é realmente novo dentro de mim.

A primeira imagem é de Delila Jemaiel e a segunda de Joseph Cornelll.

Wednesday, May 14, 2008

Paleta natural



Para mim não há melhor inspiração para a mistura de cores...

Tuesday, April 29, 2008

memórias de verões passados


Os dias que começavam cedo, quando ainda era frio lá fora e saíamos de casa arrepiados, nas nossas blusas leves de manga curta, à espera que o sol começasse a brilhar.
As brincadeiras aos detectives, com agenda, lápis em punho, na busca de "pistas" dos crimes inventados.
Subir aos muros, à cerejeira nas traseiras de casa, brincar nos terrenos dos serviços municipalizados, fugindo aos guardas e trazendo pequenos restos de lâmpadas que serviriam de lanternas em brincadeiras miniaturizadas.
Os dias do teatro, com cenografia improvisada - palco, reposteiros pendurados em cordas, cadeiras para público - guarda-roupa de vestidos compridos antigos, truques de magia com cobras feitas de meias suspensas por fios de nylon.
O jantar engolido à pressa, a terminar com cerejas, tão do dia e cheias de sabor, para ir brincar lá fora, ainda dia.
A sensação inolvidável do primeiro dia de férias, com a pasta de couro vermelho para pôr às costas arrumada a um canto, e o tempo que se esticaria longaaaaamente por três meses cheios mas tranquilos, lentos, saboreados.
As idas à quinta, com lanches à sombra do magnífico cedro e corridas pelo canavial a evitar os poços.
As tardes de desenho a inventar histórias e a desenhá-las: os minúsculos africanos e Callie, heroína espacial.
As estadias na aldeia, com viagens de burra, apanha de morangos, jantares no terraço ao pôr-do-sol, sentados em cadeiras de tiras de borracha, que se afastavam com o nosso peso, corridas de carrinhos e de corredores de bicicleta em plástico, passeios a pé depois do jantar, lavar roupa no tanque comunitário, ir buscar água de cântaro no fontanário público onde era preciso carregar com força na torneira que deixava escorrer água pelos braços e regressar com ele sobre a rodilha na cabeça. Amigos inseparáveis, longas cartas.
Idas à feira em Setembro, com farturas, Sumol de laranja, bolinhas de serradura, furos de brindes Regina, tachinhos de alumínio, areia nas sandálias, voltinhas no carrocel duplo.
Idas ao Fontelo, gritos de pavões, muitas corridas à sombra e frescura das árvores, arranhões nos joelhos, laranjada Bussaco numa casa com azulejos aos quadrados pretos e brancos.
Brincar aos países, ao mata, ao Festival da Canção nas escadas da entrada de casa.
As férias na praia, campismo com pinhal, caça nocturna aos gambuzinos, comer ao ar livre, nadar na piscina até os dedos quase cairem de tão engelhados, andar de sulipas, a minha saia vermelha com pregas, ler na cama de rede com o som de fundo das relas, comer camarinhas.
O regresso a casa depois da praia com o encanto dos cheiros: a caixa do correio de madeira, o arroz de ervilhas e rissóis de pescada feitos em casa, a cera no corredor, o pijama lavado, a almofada da mãe.

Que bom ter destas memórias de infância...

Dieta de verão

e se a revolução se atrasasse?



como eu me atrasei neste post...
a fotografia foi tirada no próprio dia, sobre uma memória de outras épocas que resiste numa parede da Ajuda.

O 25 de Abril deve estar vivo enquanto memória individual e ser partilhada pela escrita, oralidade, pela imprensa, mas deixem de parte as celebrações saudosistas televisivas, que surtem o efeito contrário e ridicularizam em vez de exaltar.

Friday, April 25, 2008

vai tudo ao molho e alguma coisa há-de estar bem!

Transcrição da entrevista à Miss South Caroline, no decurso da prova para Miss América:
- Pesquisas recentes revelaram que um quinto dos americanos não conseguem localizar o seu país no mapa. Porque é que acha que isso acontece?
- Pessoalmente acredito, que os norte americanos não são capazes porque... ãh... algumas pessoas por aí no nosso país não têm mapas. E eu acredito que a nossa educação...ãh...como a da África do Sul e do... Iraque...e todos os lugares semelhantes...ãh... eu acredito que deveriam ser.... a nossa educação aqui! nos EUA... deveriam ajudar os EUA... deveriam ajudar a África do Sul e o Iraque e os países asiáticos, de modo que sejamos capazes de construir o nosso futuro, para as nossas crianças...

Sunday, April 06, 2008

oliveiras, de todas as maneiras



A primeira de Hans Memling e a segunda de Elena Odriozola.
Ambas me inspiram paz.

música a cores


Clair de lune from musanim on Vimeo.

Tuesday, March 18, 2008

nos intervalos

Portugal vive numa curiosa obsessão pelos intervalos, que se revela na linguagem:
"estamos quase no Natal!"
"decretaram ponte para quinta-feira"
"o fim de semana que não chega..."
"quantos feriados há este ano?"
"já não dá... estamos quase na hora de almoço"
"vou meter baixa"
"pediste dispensa?"
"esta semana é óptima, só tem três dias!"
"não vale a pena marcar nada, porque estamos quase na Páscoa"
"a partir de Junho e até Setembro, nada feito! Está sempre algum administrador de férias"
"a Srª Doutora já chegou, mas deve ter ido beber um cafezinho"
"melhor do que intervalos, só pão com manteiga"

Friday, March 14, 2008

no trânsito

Ontem tive uma conversa curiosa com um taxista.
Nem sei como a coisa começou, mas a dada altura vimo-nos a braços com questões existenciais como a que ele pôs: "pergunto a mim mesmo o que leva as pessoas a tanto esforço quotidiano, quando sabem que têm a morte tão certa?".
Dei comigo a pensar "e que seria de nós se não soubéssemos se morríamos? ou o que faríamos se a nossa existência se prolongasse indefinidamente?"
Não se poriam os mesmos problemas éticos sobre a vida e o que fazer com ela? Será que o limite, a quantidade são tão determinantes?
Nos dias acelerados de hoje, creio que um dos problemas maiores é não podermos dedicar o tempo certo a pensar nos porquês e paraquês da vida, a encontrar para a nossa existência e a do nosso país, empresas ou comunidades, as razões e motivações de ser.

Tuesday, February 19, 2008

plantas exóticas





O IKEA tem neste momento uma oferta de plantas exóticas deveras interessantes: um cacto coral, (Euphorbia lactea cristata, cuja origem é a Índia ou Sri Lanka) e um outro em flor (sim, também hei-de descobrir o nome...) que apresentam o colorido e formas mais artísticas que se podem imaginar. A paleta de cores é fabulosa, também. Vale uma visita.

Quem adivinha?



Se aguém descobrir onde fica este belo fontanário, não diga a ninguém.
É que fica mesmo ao pé deste "condemónio aberto" em frente ao nosso Palácio da Ajuda, o dos jantares de Chefes de Estado, da exposição do Hermitage, do Ministério da Cultura...
Ai, Portugal, Portugal, que prioridades, que planeamento, que urbanismo!

Lisboa devia inspirar!

Dei um salto no fim da tarde de Domingo passado à Inspired Lisbon, no Palácio Valadares, ao Carmo, curiosa sobre o programa ambicioso e aliciante que apresentava, e com pena de não ter assistido às sessões anteriores, cujos temas prometiam.
Do programa "um projecto cultural que pretende estimular a discussão e o debate crítico de temas actuais, e responder a questões levantadas pela comunidade criativa" retive o Banco de Conhecimento Comum (BCC) e respectivo Mercado de Conhecimento Livre (MCL); um documentário sobre Curitiba, enquanto experiência de urbanismo e sustentabilidade; as Future Asked Questions, com apresentaçao de processos criativos como resposta a essas questões e finalmente a World Changing, uma vídeoconferência de Allex Steffan sobre desenvolvimento sustentável.

Como não consegui assistir a nenhuma das conferências, não me posso pronunciar sobre esses conteúdos. No entanto, a minha deslocação valeu-me um enorme desapontamento.
Pese embora a simpatia dos "hospedeiros" e o entusiasmo ingénuo dos estudantes presentes, muitas coisas não resultaram a favor da credibilidade do projceto.
O espaço não convenceu (a decadência das instalações nem era assumida nem resolvida com a pintura de branco das paredes ou a alcatifa barata a cobrir o chão de madeira, provavelmente carunchento); as exposições presentes variavam entre o minimalista (projectos de copos da Bombay Sapphire), o inconsequente (escolhas de objectos dos designers convidados pela MUDE para as FAQ*) e o francamente mau (do négligée intencional ou não dos projectos de estudantes da ETIC); a vídeo-conferência não teve lugar por problemas técnicos,
nem alternativa, por falta de planeamento; os resultados expostos do BCC e MCL eram confrangedores (aprender a fazer sushi, arrumar a casa ou fazer yoga, não me parecem as sugestões mais originais, estimulantes ou ricas para abrir um Banco de Conhecimento Comum; propor a reflorestação das serras portuguesas neste contexto, ainda menos!)

Enfim, much ado about nothing.



*neste caso apetece-me dizer "irresponsável", dado que organizada pelo Museu do Design que devia saber o quanto o design sofre de cada vez que estas leituras descontextualizadas são feitas para o grande público: aumentam a desconfiança sobre o design e os designers, associando-os à inconsequência. Noto ainda a falta de uma apresentação convincente, com as explicações apresentadas em folhas de papel singelamente (des)coladas na parede.

Tuesday, February 12, 2008

gosto: cada um com o seu


“Ouça, é uma questão de gosto pessoal”, referiu Sócrates. “Cada qual tem o seu e, modéstia à parte, até considero o meu particularmente erudito.” www.inepcia.com

Ao que parece, uma juiza italiana em visita a Portugal, quando instada a pronunciar-se sobre o nosso país, diz que é muito bonito, mas está uma confusão, entre marquises e azulejos, falta de urbanismo... A contra resposta foi "pois, mas sabe que é muito difícil combater a corrupção que grassa neste meio do imobiliário". Ao que ela contrapõe "Não!! Em Itália, há muito mais corrupção. Vocês têm é mau gosto!" Prós e Contras, 11.02.08

Tuesday, January 29, 2008

a paciência compensa

Depois de alimentar durante várias semanas os pardais do meu terraço, eis que surge um melro curioso que também já trouxe com ele um rabirruivo. Hoje finalmente consegui captar a refeição.

Wednesday, January 09, 2008

caixas de música a cilindro




consequência das minhas pesquisas sobre pianolas e caixas de música de cilindro deparei com o mundo apaixonante destes pequenos "devices" musicais. Não são baratas. Dar quase 8.000 euros por uma pequena caixa que tem 4 músicas parece-me um exagero, mas acabei de me tornar uma curiosa destes objectos. Têm um certo sabor a infância e elegância misturado com um je-ne-sais-quoi de mistério.
Estes são alguns links às melodias disponíveis, algumas delas de notável complexidade, se pensarmos que se trata apenas de pequenas lamelas metálicas desencontradas.






fenómeno II

Uma valente constipação permitiu-me experimentar um estranho fenómeno físico.
Ao que parece a sinusite invadiu o meu ouvido provocando uma infecção. Não dolorosa, mas sensível da maneira mais estranha: de repente a minha cabeça começou a dar-me informações falsas quanto à proveniência dos sons, as distâncias, o volume dos sons...
Mas o mais curioso foi transformar toda a música num enlatado de pianola desafinada. Dei-me conta de manhã, quando liguei o rádio e não havia uma estação sintonizável: todas as músicas, especialmente as que envolviam piano, cordas e voz soavam desafinadas, "desfocadas".
Gostava imenso de conhecer a explicação científica deste fenómeno que transforma completamente a nossa percepção do som e altera a afinação do ouvido, duplicando os sons numa oitava ao lado ??

fenómeno I



Correndo o risco de entrar no domínio da caixa de bombons, não resisto a publicar esta imagem que se me apresentou fabulosa. O céu negro com abertas profundamente azuis, as nuvens iluminadas por raios de sol forte e o arco iris constituem um conjunto tão atraente que não é possível deixar de o apreciar, apesar da banalização a que está sujeita.

Monday, December 03, 2007

Arregaçar as mangas ou baixar os braços

Recebi hoje um mail com um pedido de ajuda de uns pais que não desistem de tentar salvar o filho, apesar de o seu caso ser único em Portugal e de as recomendações médicas serem "fazer o que for possível por lhe dar qualidade de vida enquanto cá anda".

São muitos e variados os pedidos de ajuda deste género e começamos a "endurecer" e "relativizar" com os assédios. Mas quando confirmamos a veracidade do caso, conseguimos pôr-nos na pele destas pessoas e é impossível voltar a cara.
Principalmente face à determinação destes pais em conceder uma hipótese de vida ao filho.

Hoje é dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Mutiplicam-se os discursos de necessidade de atenção pelo Estado, mas em cada um de nós pode haver um gesto para minorar os problemas alheios: do simples estacionar fora do passeio para o deixar livre a quem dele precisa, ao contribuir para um caso, ou educar para a compreensão da deficiência e luta pela vida.

O David é de Campo de Besteiros, tem 3 anos e sofre de Mucopolissacaridose Tipo III (doença de San Filippo). Os pais precisam de ajuda financeira para travar a progressão da doença e iniciarem um tratamento experimental que não pode ainda ser feito em Portugal.
NIB 0007 000000 237581975 23

Friday, November 23, 2007

Democracia

Assiste-se a uma degradação da democracia, no que ela tem de sistema político, de representação da maioria expressa no voto.

A discussão é global, como o atestam iniciativas como a da BBC – Why democracy? (http://www.whydemocracy.net/)

A somar à evidente falta de participação (níveis altíssimos de abstenção) e à crítica expressa nos ignorados votos em branco, encontramos as opiniões expressas em todos os círculos (dos blogs às conversas de café, dos serões de família aos artigos de jornal) que apontam para a ausência de alternativas credíveis de governação no seio dos partidos. Queixamo-nos de uma classe política pouco dedicada ao serviço público, motivada por interesses particulares ou ao serviço dos grandes interesses.
Aparecem cada vez mais movimentos de cidadãos que se organizam fora dos partidos, mas também eles parecem condenados ao fracasso.

O civismo, a participação na coisa pública, o sentimento de responsabilidade para com os demais parece estar demasiado (e perigosamente) ausente da prática dos portugueses.
Podem-se apontar os efeitos de uma economia liberal, a globalização, a superpresença desde tenra idade dos meios de comunicação audio visuais e tecnologia informática, que “empurram” para o consumismo, individualismo e não favorecem a reflexão, a criação ou a solidariedade, que tendem a massificar e nivelar por baixo.

Por outro lado, a falta de independência nacional a nível económico (sentimos que a economia é comandada pelas multinacionais, os jogos do petróleo ou das bolsas) e político (a UE, a ONU, a NATO) associada à inexistência de uma forte identidade ou desígnio nacional conduzem a este estado de espírito demissionário.
“Somos comandados a partir de fora. Não há nada a fazer.”

Será que não?

Alternativa à chuva



















Porque nem só de chuva se alimenta a alma...

Monday, November 19, 2007

Até que enfim!


Quase ninguém aprecia dias de chuva, mas eu confesso que já tinha saudades. De acabar com a secura, de acordar com tudo escuro, de estremecer à saída do banho. Ah, chuva bâoa!

Wednesday, November 14, 2007

Seu Jorge II

Ah! É favor desculpar a qualidade da filmagem, que é o melhor que o meu telemóvel permite...


Uma das letras que me atraiu foi "Negro Drama" de Mano Brown, talvez pela forma como foi cantada por Seu Jorge:

NEGRO DRAMA, Entre e o sucesso, e a lama. Dinheiro, problemas, Invejas, luxo, fama.
NEGRO DRAMA, Cabelo crespo. E a pele escura. A ferida a chaga, a procura da cura.
NEGRO DRAMA, Tenta vê, e não vê nada, a não ser uma estrela, longe meio ofuscada.
Sente o Drama, o preço, a cobrança, no amor, no ódio, a insana vingança.

NEGRO DRAMA, Eu sei quem trama. E quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um Preto Fudido.
O drama da cadeia e favela, túmulo, sangue, sirene, choros e velas,
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia que sobrevivem, em meia zorra e covardias, periferias,vielas e curtiços,

Você deve tá pensando, o que você tem haver com isso, desde o inicio, por ouro e prata, olha quem morre, Então veja você quem mata, recebe o mérito, a farda, que pratica o mal,
Me vê, pobre, preso ou morto. Já é cultural, histórias, registros, escritos.
Não é conto, nem fábula, lenda ou mito.
Não foi sempre dito, que preto não tem vez, então olha o castelo e não, foi você quem fez Cuzão.
Eu sou irmão, dos meus truta de batalha, eu era a carne, agora sou a própria navalha.
Tim..Tim..um brinde pra mim, sou exemplo, de vitórias, trajetos e glórias.
O dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode arrancar, de dentro dele, a Favela.

São poucos, que entram em campo pra vencer, a alma guarda, o que a mente tenta esquecer.
Olho pra traz, vejo a estrada que eu trilhei, mó corre, quem teve lado a lado, e quem só ficou na bota, entre as frases, fases e várias etapas, Do quem é quem, dos Manos e das Minas fraca, Hum..

NEGRO DRAMA de estilo. Pra ser, se for, tem que ser, se temer é milho.
Entre o gatilho e a tempestade, sempre a provar, que sou homem e não covarde.
Que Deus me guarde, pois eu sei, que ele é neutro, vigia os ricos, mas ama os que vem do Gueto.

Eu visto Preto, por dentro e por fora,
Guerreiro, poeta entre o tempo e a memória, hora.
Nessa história, vejo o dolar, e vários quilates. Falo pro mano, que não morra, e também não mate. O Tic Tac, não espera veja o ponteiro, essa estrada é venenosa, e cheia de morteiro. Pesadelo. Hum...
É um elogio, pra quem vive na guerra, A PAZ Nunca existiu, num clima quente, a minha gente soa frio. Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil.

NEGRO DRAMA,
Crime, futebol, música, caraio, eu também, consegui fugir disso aí, eu sou mais um, Forrest Gump é mato, eu prefiro contá uma história real. Vô conta a minha... Daria um filme. Uma negra, e uma criança nos braços, solitária na floresta, de concreto e aço.
Veja, olha outra vez, o rosto na multidão, a multidão é um monstro, sem rosto e coração.
Hey, São Paulo, terra de arranha-céu, a garoa rasga a carne, é a Torre de Babel.
Família Brasileira, 2 contra o mundo, mãe solteira, de um promissor, vagabundo,
Luz, câmera e acção. Gravando a cena vai, o bastardo, mais um filho pardo, sem pai.

Hey, Senhor de engenho, eu sei, bem quem é você, é sozinho, cê num guenta, sozinho, se num guenta a pé. Se disse que era bom, e as favela ouviu,mas também tem Whiski, e Red Bull, Tênis Nike, Fuzil.
Admito, seu carro é bonito, Hé, E eu não sei fazer, internet, video-cassete, os carro loko,

Atrasado, Eu tô um pouco sim, tô. Eu acho sim, só que tem que, seu jogo é sujo, e eu não me encacho, eu sô problema de montão, de carnaval a carnaval. Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal.
Problema com escola, eu tenho mil. Mil fita, inacreditável, mas seu filho me imita. No meio de vocês, ele é o mais esperto. Ginga, fala gíria, gíria não dialeto. Esse não é mais seu, Hó, Subiu.
Entrei pelo seu rádio, tomei, se nem viu, nós é isso, aquilo, o que, senão dizia, seu filho quer ser preto. Rhá, que ironia,
Cola o pôster do Tupac ae. Que tal. Que se diz. Sente o NEGRO DRAMA. Vai, tenta ser feliz.

Hey bacana, quem te fez tão bom assim, o que se deu, o que se faz, o que se fez por mim,
Eu recebi seu Tic, quer dizer Kit, de esgoto a céu aberto, e parede madeirite. De vergonha eu não morri, tô firmão, eis me aqui. Você não, cê não passa, quando o Mar Vermelho abrir.
Eu sou o mano Homem duro, do gueto, Brown. Oba, aquele loko, que não pode errar, aquele que você odeia, mas nesse instante, pele parda, ouço Funk.
E de onde vem, os diamante, da lama. Valeu mãe,
NEGRO DRAMA, DRAMA, DRAMA.

Seu Jorge, valeu!





Numa decisão repentina, fomos ver o Seu Jorge ao Teatro Mundial num espectáculo intimista para não mais de 200 pessoas, que nos rendeu duas horas de encantamento e boa disposição.
A simplicidade da comunicação e o bom humor não retiraram uma vírgula a meia dúzia de mensagens importantes, ditas entre episódios de vida e muito boa música.
Valeu muito a pena!

Monday, November 12, 2007

Corrida pela Terra
























































Está em Lisboa o Earthrace. Estacionado no cais de Alcântara, é sem dúvida um belo e elegante trimaran (nunca sei como chamar as coisas pelos nomes certos no meio naval)!

A ideia de demonstrar as potencialidades do biodiesel através de um caso extremo, também parece resultar bem.
Foi desenhado com um sistema de perfuração das ondas que se torna fundamental para bater o recorde de circumnavegação do globo. Permite ao barco avançar continuamente em alta velocidade, tanto quando o mar está calmo como agitado.

Pode acompanhar o percurso através do Tracplus (o pequeno globo à direita) em http://www.earthrace.net/

Prazeres

































Os cemitérios podem ser locais de interessante exploração gráfica.

O dos Prazeres é particularmente rico em exemplos.
1 de Novembro de 2007.

Como é possível?

Segundo o site www.cienciahoje.pt "a Organização Mundial de Saúde indicou recentemente que o mundo conta agora com mais adultos com excesso de peso do que com pessoas subnutridas. Segundo a OMS, mais de mil milhões de adultos são vítima de excesso de peso, dos quais pelo menos 300 milhões são obesos, enquanto 800 milhões passam fome."

Não ter nada para comer, deixa muito poucas opções e torna a existência de fome - embora inaceitável - explicável.
Ter variedade e quantidade, estar informado dos perigos de uma alimentação anormal, torna a obesidade um indício de falta de disciplina, de controlo e, de certa maneira, de inteligência.

Saturday, November 10, 2007

Teorias

A teoria é olhada com desconfiança pelos tecnocratas.
Temem o "atraso" que provoca na marcha para diante. Entende-se que se queira avançar pelo efeito paralisador que tiveram anos de governação sem espinha dorsal, de medidas avulsas, excesso de diálogo e de meios.
Mas hoje em dia governa-se sem Norte, segue-se no regime de navegação à vista.

A reflexão é urgente porque não podemos ignorar os efeitos de agir sem planeamento. Porque são evidentes as falências do sistema, até à escala global. E porque não devemos perpetuar o erro.
É claro que pode acontecer que à chegada ao abismo esteja a solução.
Que a mudança de comportamentos que se exige, só se consiga, não por reflexão e conscientemente, mas por inevitabilidade.
As pessoas parecem conseguir reagir apenas aos cenários extremos e reconstruir a partir do nada.

A iniciativa da Gulbenkian de promover um debate sobre o Estado do Mundo é tão ambiciosa quanto louvável. Convidou pensadores que levaram a cabo um ciclo de lições "A urgência da teoria", com reflexões que deveriam ter sido alvo de atenção, discussão e publicidade.
Infelizmente, temo que as ideias, sugestões, críticas e análises que poderiam ser tão estimulantes, vão ficar encerradas no papel e nas prateleiras de alguns poucos, que acabam por as consumir como romances, incapazes de suster a onda de indiferença que nos atinge.

Friday, November 09, 2007

Thursday, November 08, 2007

bem visto

Belo comentário que a minha amiga A. fez "os melhores anos da minha vida foram os anos 40, ainda que não tivesse nascido! Deram-me um imaginário com tanto glamour..."

Desapareceram também!

arranjadoras de meias de vidro; entregador de jornais; leiteira; polícia sinaleiro

Desapareceram!

lápis com tabuada; livrinho de significados; papel mata borrão; cartões de visita de luto; envelopes forrados a papel de seda; chapéus de chuva de chocolate; jogo de furos da Regina; chicletes em forma de cigarro; máquinas de afiar lápis; máquina de escrever; transferidor; tipómetro; tira-linhas; letraset; papel colorido da mecanorma; isqueiros de pedra de cozinha; máquina de cegar caldo verde; disquete e floppy disk; porta bolos de confeitaria; carrinhos de rolamentos; pão com marmelada; bolinhas de serradura com elástico; aquele jogo de duas bolas que faziam negras nas mãos...

nem com good will

"Do ponto de vista estratégico, a criança deve ser encarada como o cliente do futuro que, enquanto cresce, vai «armazenando» good will boa vontade em relação às marcas que a elegeram como target público alvo nas suas campanhas de marketing e comunicação. E será precisamente esse good will boa vontade que influenciará as suas decisões de consumo adultas. Numa perspectiva táctica, as crianças já detêm um certo poder na nossa sociedade de grande consumo: se, por um lado, é habitual disporem de algum pocket money economias para gerir, por outro, têm vindo a ganhar influência nos consumos familiares. Um fenómeno emergente conhecido como o Pesting Power Poder de Enfernizar..."

Não resisti a colocar neste texto - que retirei de uma edição do Briefing, se não estou em erro, a propósito de um estudo sobre consumidores de palmo e meio - as traduções das expressões típicas do vocabulário inglês do marketing. Há sempre quem diga que a linguagem do mercado é internacional, sinónimo de cosmopolitismo e inteligível para todos. Eu discordo. Parecem-me ridículas estas frases de construção portuguesa e decoração inglesa.

Mas a parte pior deste recorte é o pensamento necrófago por detrás da ideia apresentada: os adultos produtores espreitam o pequeno consumidor em desenvolvimento, alimentando-lhe os apetites de aquisição, para adiante os atacarem. Wicked!

Façam-me a fineza de mudar!












Já não pode haver dúvida de que estamos a sofrer as consequências do aquecimento global, aqui e agora. Não se trata de uma previsão ou cenário, mas de uma realidade que afecta todos e que provavelmente não tem retorno.
Deveríamos estar a discutir não como evitar, mas como enfrentar essa realidade.
E a atitude mais aconselhável prende-se muito mais com a mudança de comportamentos do que a com a busca de soluções que perpetuem o aumento do consumo.
Mas os estados e as empresas insistem em investir em força nas energias alternativas que permitam manter o mesmo grau desenfreado de consumo, em vez de educar e conter a ânsia de ter e usar.

O Less is More que Mies van der Rohe usou para definir uma arquitectura minimalista "de pele e osso", favorecedora do essencial, apresenta-se como uma boa receita para o nosso tempo.

Irritante é, porém, perceber que por muito evidentes que estas verdades se mostrem, não parece haver forma de convencer as pessoas a arrepiarem caminho e enveredarem por formas mais inteligentes de passar pelo mundo.
Estamos condenados a assistir à asneira, ao nonsense, como se ele fosse normal e admissível.

Thursday, October 25, 2007

Se isto fosse levado a sério...


quantos problemas não se evitariam nas Finanças.

Já saiu!




O livro Solares de Portugal, com belas fotografias de António Homem Cardoso, que tive o prazer de paginar, lança-nos para a estrada, à procura destes paraísos escondidos.
É claro que se trata de uma realidade filtrada, pela lente e olho editor, mas como dizem que a fotografia não mente...

Tuesday, October 23, 2007

um Domingo no campo






















No campo, e gozando um Outono aquecido, tudo tem graça e as coisas mais vulgares ganham um brilho especial.

Friday, October 19, 2007

Tiro o chapéu ao Arq. Carlos Ventura Ramos!




















Porque é que os actuais arquitectos de estádios de futebol não conseguem ter a atitude discreta nas suas intervenções, promovendo obras integradas no ambiente, como é o caso do belo estádio do Belenenses? Aproveitando uma pedreira desactivada, com uma cobertura metálica discreta que se funde na cor local, sem alarido nem elementos supérfluos, cumpre o seu papel e torna-se um espaço de frequência apetecível. Enquanto que o Belenenses, a escassos metros do local mal se vê, a maior parte dos estádios construídos ou adaptados para o Euro 2004 transformaram-se em imposições à paisagem, pela minha parte totalmente indesejadas.

Parece que cometi o erro de dar a obra do pai ao filho, pelo que me desculpo, mas a quem felicito, por tão honrosa filiação. Por esse facto e com a promessa de voltar a pesquisar sobre ele para completar a informação não retiro o que recolhi no site do Instituto de Camões:

Durante a adolescência, Carlos Ramos conviveu, graças à profissão e conhecimentos de seu pai, com a elite cultural e intelectual do país, crescendo num ambiente pautado pela música e pela arte. Depois de conhecer e privar com o arquitecto Ventura Terra, decide seguir arquitectura e, em 1915, faz o exame de admissão a arquitectura com os seus amigos, Cottinelli Telmo, Paulino Montez e Leitão de Barros. Durante o curso, tem como colegas Cristino da Silva, Pardal Monteiro e Carlos Rebelo de Andrade, formando o que considera ser o maior lote de arquitectos que a Escola de Lisboa jamais formara.

Horizontes largos

O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo de água e a bebesse.
Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
Mau - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e a deitasse num lago.
Bebe um pouco dessa água, disse-lhe
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
Qual é o gosto?
Bom!, disse o rapaz.
Sentes o gosto do sal?, perguntou o Mestre.
Não, disse o jovem.
O Mestre então, sentou-se ao lado do jovem, pegou nas suas mãos e disse:
A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos.
Quando sentires dor, a única coisa que deves fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a tua volta. É dares mais valor ao que tens do que ao que perdes.
Noutras palavras: é deixar de ser copo para tornar-se um lago.

Thursday, October 18, 2007

Vida de elástico


Ultimamente tenho a impressão que não me vai abandonar esta sensação de estar permanentemente a ser esticada.












Com pouco trabalho > sem poder respirar.
Nem um ai de ninguém > telefonemas, convites, cartas, mails aos molhos.
Um dia cheia de vitalidade > noutro dia a arrastar-me.

Eu sei que é normal a vida ser cheia de altos e baixos, torna-se mais rica, e coisa e tal, mas tem que ser assim tão sem parágrafos?
Agora apetecia-me sossego.
E mais não digo para não pensarem que este blog é confessional.

Wednesday, August 08, 2007

Tuesday, July 10, 2007

ai não vai, não

























Este mailing é mesmo convincente...

Monday, July 09, 2007

o real ou o recriado















Não sei quais são mais fascinantes: as belas nuvens de Max Streicher no Centro Cultural de Belém - que se mexem, crescem, e replicam nos vidros - ou as que me acompanharam, em constante mudança de cambiantes, estrada fora, no sábado passado.


Isto costa, mas vai...

























Se calhar tentaram alinhar com a seta ao lado, mas mesmo assim, achava melhor darem preferência à mensagem...

Thursday, July 05, 2007

resistir

Só os peixes mortos nadam com a corrente.
Bela frase encontrada num blog de ambiente.

Tuesday, June 26, 2007

TugaLand???

Regulamento da Sala de Chat Tugaland

1. Objectivo
Ponto de encontro das comunidades lusófonas de todo o mundo para debater ideias, praticar e divulgar a língua mãe, troca de informação, histórias e experiências de vida sobre os seus locais de origem e onde vivem. Dignificar a cultura dos povos lusófonos.


http://www.tugaland.com/Regula.htm

Sala de Chat Tugaland.
Um chat para divulgar a língua e cultura lusófonas.
Claro! Chat+Tuga+land. Mais português era impossível...

Thursday, May 03, 2007

uma pedra quadrada não cai

Seja de que lado se faça cair uma pedra quadrada, ela continua de pé. Sede, pois, semelhantes a pedras quadradas, preparados para todos os choques; e que, qualquer que seja a força que vos empurre, não consiga fazer-vos perder o equilíbrio. (Santo Agostinho)

Tuesday, April 24, 2007

Bosch na Ericeira


Há pessoas capazes de descobrir as associações de imagem mais imprevisíveis...bem visto, Ana!

Monday, April 23, 2007

Novíssimo

O internamento de Eusébio no dia a seguir à inauguração com pompa e circunstância, honras de Presidente da República, Ministros e destaque largo na tv do Estado, do novíssimo Hospital da Luz é a manobra de marketing que qualquer director de agência gostaria de imaginar, ou ter coragem de propôr.

Dois dias seguidos de elogios, aberturas de telejornais, conferências de imprensa alindadas com resmas de batas brancas, reportagens sobre a dificuldade da intervenção, põem o nóvel hospital nas bocas, olhos e memória do mundo.

O Eusébio recupera bem.
O Hospital da Luz agradece a publicidade.
E nós todos ficámos, num instante, a saber que ele existe, mesmo sem receber luxuosos folhetos.

Tuesday, April 03, 2007

Seres vagamente alados

ben trovato!

Que belo jantar recheado de histórias de ópera!
Alberto Corrado is in town e é um divertimento ouvi-lo.
Como qualquer italiano que se preze, fala com as mãos, as sobrancelhas, o corpo todo a sublinhar a veemência da voz.
Fixei, entre todos os deliciosos episódios, um sobre a meticulosa organização dos japoneses e a sua admiração pelas vozes e autores italianos. Contou ele que o espectáculo de apresentação da "sua" soprano em Tóquio lhe valeu um email preocupado da organizadora, em Setembro, "Caro Dotore, mi dispiacce, ma fino adesso, ho venduto soltanto 2600 biglietti."
Figurati! A senhora preocupava-se
em Setembro por ter vendido apenas 2600 bilhetes dos 3000 disponíveis para um espectáculo em Janeiro!!!
Acabou por ser um enorme sucesso, com ovação em pé por mais de 15 minutos. No final esperava-os uma surpresa: uma fila ordenada e paciente de mais de mil pessoas para receberem o autógrafo da "diva"...duas horas e meia de assinaturas!
No dia seguinte, na despedida, a organizadora entregava-lhe, com imensos pedidos de desculpa, um maço de outros tantos programas para autografar, de todos os que tinham deixado endereço.

Monday, March 26, 2007

Somos uns distraídos!

Há quanto tempo se sabe da Ota?
Há quanto tempo se não discute a Ota?
O facto é que, aliás como sempre, iniciamos a discussão fora de tempo. Valha a verdade, o anúncio do mega-empreendimento fez-se de forma confusa (propositadamente): vamos ter o melhor aeroporto do mundo e milhões de passageiros bum! bum! bum! Mas, no barulho do foguetório, uma vez mais se perdeu o norte e, passados dois três dias, adeus!
Passados uns anos (desde 1999) ressuscita-se o problema, agora envolto no drama da pressa, já que os representantes da empresa "Nem bom vento, Nem bom casamento" querem uma Ota em Madrid! Céus... e agora?
E agora, resta-nos avançar baseando-nos nos estudos preliminares já que, provavelmente, terão de se tornar definitivamente definitivos (os prazos!).
Truque? Não, à boa maneira portuguesa basta eliminar-lhes o preliminar e mudar a data.
Nada de novo na frente ocidental. Resta o que não se discute, o essencial hélas, as massas! Sim, porque nesta matéria ninguém se atreve a pôr o pescoço de fora. Desde a banca à construção civil passando por infindáveis gabinetes de projectistas (fora o resto) tudo caladinho minha gente não vá o diabo tecê-las!
No entretanto, o primeiro-ministro afirma (já sem saber o que dizer) estar farto de estudos e o ministro das Obras Públicas diz (certamente sabendo porquê) ser a Ota uma questão pessoal! No entretanto, a "engenharia portuguesa" (como se os parafusos tivessem pátria") rejubila com "obra à vista" e os contribuintes mal sonham com os amanhãs dourados com que a Direcção Geral de Impostos se prepara para os brindar.
Ufffff! No meio disto tudo já nem sei o que dizer dos sobreiros...
PCH

Saturday, March 17, 2007

Ai valha-me Deus!

O Rui Costa tem feito falta ao Benfica?
" É sim senhori. É verdade. É o Rui Costa...é o...Maru, MarioUitl...que é o...o pequenino. Só temos o Simão e o... ... e os outros todos,vamos lá. Mas isto há uma coisa...nós temos o maior, nós clubes e Portugal temos uma coisa... que temos (inspira)...que não há nosso munde...dos outros, que o Beira-Mari venham cá para fazer casa nós não. Nós temos de ganhar pa ganhar e pa nã ter mais três pontos ou cinco pontos do Porto. E temos direito...que o Pinto Loureiro e tsuloureiro tá aí, é o cá uso, nã é? que... fazem o nosso clube o nosso Portugali seja o maior ós nossos benfiquistas e vamos o Benfica e temos a vitória, ganhamos três um ó...ó Beira-Mar!"

Trabalho de casa: fazer a divisão e classificação de orações desta entrevista a um adepto benfiquista!

Monday, March 12, 2007

A Helvetica faz 50 anos!

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz
ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ

Friday, January 12, 2007

pátio shakespeariano em Salzedas

Não há coincidências

Valha-nos um bom duche!

No estado em que as coisas estão, o meu chuveiro é praticamente a única coisa que se apresenta enérgica e positiva ao longo do dia.

O clima de desânimo nacional apodera-se dos noticiários, das repartições e das famílias.
Sucedem-se notícias de
estados comatosos de marcas históricas como a Vista Alegre/Casa Alegre/Atlantis, encerramento sucessivo de multinacionais e fabriquetas nacionais, deficientes sem assistência, exames eliminados da quase totalidade das disciplinas no final da escolaridade obrigatória, as maiores taxas de tudo o que é mau e as menores de tudo o que é bom. You name it!

Mas nem sequer há crítica ou leituras alternativas dos jornalistas.
Como alguém me salientou, é curioso reparar que, em qualquer reportagem de encerramento de uma fábrica, aparecem os trabalhadores ao molho a reclamar, uma figura furtiva de director a entrar num carro potente sem prestar declarações, e nem um pio dos quadros técnicos! Não se ouve uma declaração ou entrevista a um engenheiro, contabilista ou director de marketing. Provavelmente porque os seus lugares já estarão assegurados...

O pior de tudo é o impasse prolongado em toda a vida económica do país, efeito de um PRACE comprido mas não cumprido. Não há meio de se tomarem decisões definitivas, de se aplicarem regulamentos e medidas anunciadas, de se assumirem frontalmente os afastamentos inevitáveis.
E essa lentidão corrói o entusiasmo, a confiança das pessoas nas instituições, nos dirigentes e nalguns casos até nos colegas, que começam a apresentar-se como concorrentes.

É difícil, até
para as mentes mais resistentes, resistir a este clima peganhoso.
Talvez um banho ao fim do dia seja a solução...

Wednesday, November 29, 2006

ben trovato

profissões ou competências

Aprovada a nova Classificação Nacional de Profissões, pergunto a mim mesma, se no quadro actual, fazê-lo ainda faz sentido.
Profissão vem do latim Professio, e significa "actividade remunerada que uma pessoa desempenha e que exige formação e especialização".

Mas, embora ainda não nos estejamos a dirigir para a prática do Homem da Renascença, conhecedor e sábio, interessado e interveniente em diferentes áreas, cada vez mais se exige no âmbito profissional que se seja polivalente e flexível. Mudar de profissão é visto como coisa normal, quase desejável.
Por outo lado, dou conta que a minha profissão apresenta contornos cada vez menos nítidos no que se pode ou não fazer. Sou frequentemente chamada a exercer uma série de competências que poderiam não estar ligadas à prática habitual da profissão, ou mesmo pertencer a outras. And yet... posso e devo exercê-las.
Certas formações, apesar de inscritas nessa classificação, permitem exercer quase tudo - como o antropólogo - ou então na prática não existem como profissões - como o filósofo.

Mas quando se verifica que o processo de classificação de profissões exige a definição ao pormenor dos conteúdos funcionais, tudo isto perde um pouco o sentido e apresenta-se algo anacrónico.

Então em que ficamos? Precisamos de profissionais ou competentes?

Sunday, October 08, 2006

Um caso sério

Fui ver a exposição AMOR-tE na Mãe de Água, uma organização da Amara, Associação pela Dignidade na Vida e na Morte.
É um caso sério.
Talvez a exposição que mais me impressionou até hoje.
O espaço de circulação confinada que nos obriga a ficar perto das chocantes imagens, sem fuga possível; a água que escorre nas paredes e ecoa as lágrimas impossíveis de conter; o silêncio sepulcral; as legendas curtas que contam histórias tristes, surpreendentes, injustas, tranquilas; e as imagens poderosas, quase incómodas, que nos fazem sentir aflitos pela possibilidade de observar o que aquelas pessoas - vivas no primeiro retrato - já não puderam ver.
É todo o mistério, inevitabilidade, incomunicabilidade da morte que se sente presente em cada um daqueles retratos.
E as questões que não conseguimos deixar de nos colocar sobre o sentido da vida e da forma como usamos o tempo.

Saturday, October 07, 2006

Complex

Do site do Banco de Portugal...alguns artigos e alíneas quanto à abertura de contas

Abertura presencial de contas de depósito
Artigo 9.º : Elementos de identificação
Sempre que as instituições de crédito procedam à abertura presencial de contas de depósito, devem ser recolhidos nas respectivas fichas, pelo menos, os seguintes elementos referentes a cada um dos titulares das contas e aos seus representantes, bem como a outras pessoas com poderes para a movimentação das mesmas:
1) No caso de pessoas singulares:
a) Nome completo e assinatura;
b) Data de nascimento;
c) Naturalidade;
d) Nacionalidade;
e) Filiação;
f) Morada completa;
g) Profissão e entidade patronal;

h) Cargos públicos que exerçam;
i) Tipo, número, data e entidade emitente do documento de identificação;

Artigo 10.º : Meios de comprovação
1. No que respeita às pessoas singulares:
a) Os elementos de identificação referidos nas alíneas a) a d) do n.º 1) do artigo 9.º devem ser comprovados:
Quanto aos residentes, mediante a apresentação do bilhete de identidade;
c) O elemento de identificação referido na alínea f) do n.º 1) do artigo 9.º deve ser comprovado através de qualquer suporte documental considerado idóneo e suficiente pela instituição de crédito ou mediante a realização de diligência adequada destinada a comprovar a morada declarada;
d) O elemento de identificação referido na alínea g) do n.º 1) do artigo 9.º deve ser comprovado através da apresentação de cartão profissional, de recibo de vencimento ou de qualquer outro documento comprovativo


Não interessa se já é cliente do Banco, não interessa se o conhecem há 30 anos, não interessa se já têm a sua ficha completa com toda a documentação exigida. Se quer abrir uma conta nova... tem de apresentar tuuuuuuudo de novo!

Saturday, September 02, 2006

Tirou-me as palavras da boca...

A Lídia Jorge escreveu um texto lindíssimo, daqueles que dá vontade de termos sido nós a escrevê-lo, porque já o pensámos.
Está alojado em http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Lidia-Jorge.htm#Sistema%20Impuro, mas fica aqui em pequenino, não vá entretanto desaparecer de cena... é que me identifico tanto com ele, que seria pena!
Quem dera que os manuais escolares recuperassem exemplos destes, em vez de se ocuparem tanto das telenovelas e preocuparem tanto com a actualidade.

Sistema Impuro
Claro que o Português é uma língua maravilhosa. A prova é que se um ladrão me roubar eu encontro as palavras necessárias para lhe gritar atrás. Posso é não apanhar o ladrão nem recuperar a mala. Mas mesmo aí, fico com todas as palavras para me queixar, toda a sintaxe para expor, toda a morfologia para descrever a pessoa em causa e o facto ocorrido. E se ninguém me ligar, encontro todas as palavras para me revoltar e para dizer as frases que substituem a batida com a porta. Também para a ira, o ódio ou apenas o humor, nas ruas, contra os automobilistas inatacáveis, consigo encontrar todas as palavras. A revolta, a diatribe, o grito de rebeldia, a ameaça da vingança, estão ao nosso alcance. E para os outros, os sentimentos bons, os decentes, como são o amor, a amizade, a saudade, a coita, a melancolia, ou mesmo o frenesi, a ansiedade, o despeito, a acédia, o desespero e o ciúme, também encontro todas as palavras que eu quiser.
Mas não só de homem para homem a língua fala. Também encontro todas as palavras para falar com as árvores e as bestas. Encontro todas para mandar aparelhar o coche, fazer o baile e o fado. Um sermão. Tenho todas as palavras para ir à igreja ouvir o sermão e a ladainha. E tenho todas para ir à igreja ouvir o sermão e a ladainha. E tenho todas para comer à beira da estrada, junto às cestas. Tenho todas as palavras para a lavoira, todas para os ventos. A quantidade de palavras sobre os barcos, a maresia, o marejar, o almareado, a tramontana, tudo o mais que vem do mar, como se ele fosse nosso, ou o tivéssemos feito com a nossa própria língua. Palavras para atravessar todos os oceanos, para percorrer todas as praias.
Para o sentimento e o passado presente donde ele brota, tenho todas as palavras necessárias. Até disponho dessa palavra intraduzível na sua unidade e síntese de corpo e afeição que é o colo. O colo intraduzível. Pôr ao colo, andar ao colo, levar ao colo, menino de colo. Não me admira que Joyce e Kafka, lá onde o sentimento melhor toca a abstracção, consigam ser traduzidos na nossa língua como para nenhuma outra. Isto é, posso andar dum lado para o outro sobre a terra, a relva, as colheitas, a floresta, a onda, o corpo humano e a sua alma com todas as palavras para dizer. As palavras do ser, do desejar e do apetecer, as questões sem tempo e fora do tempo, as questões do por dentro, estão nesta língua de forma rica e variada, ao alcance da mão e da língua. Aí, não há nada que dizer. Porém, todos sabemos - Onde ela falha e falta, onde ela não chega, é no campo das coisas contemporâneas do progresso, do bem-estar, das rodas e das máquinas, das recentes engrenagens invisíveis, que podem mais que todas as rodas e todas as máquinas, aquele campo a que, à falta de melhor, poderemos dizer, em vez da pele da Cultura, a Civilização.


2. Aí, sim. No campo da Civilização, como outras línguas, a nossa língua falha. É como se tivéssemos todas as palavras, de forma intemporal, para viver até ao Século Vinte, mas forçados dentro dele. A suspeita que se tem é de que a língua parou com o motor, o vapor e a gasolina, a ideia de que a língua não fez a revolução industrial, não a criou, não saiu dos que a criaram, ou só muito tarde foi inventada. Bastava entrar no automóvel primitivo para a língua não chegar. Não se sabia dizer châssis, nem tablier, nem manette. Não se soube dizer, durante muitos anos. Também bastava entrar num quarto de mulher para não se saber dizer toilette. A tinta para os lábios foi bâton, para as faces foi rouge, o cabelo foi à garçonne e o ondulado chamou-se mis-en-plis. Como hoje shampoing, brushing, rinsage, e lifting, apesar de massagem, manicura, ou permanente. De qualquer modo. Ninguém, há muitos anos, inventou o quer que fosse, em Portugal, no domínio da toilette, para lhe ter dado um nome que viajasse. O mesmo na cozinha. Mousse, soufllé, passe-vite ou kitchnette. Até para kitchenette, essa pequena cozinha que iria tão bem connosco, nós temos nome para chamar. Para não falar no menu, no catering que nós afinal usamos, mas não criámos. Aliás, a criança tem sua tetina posta no biberon e não há palavra portuguesa para envolver essa garrafa com leite, tão primordial. Não há, porque um biberon não é um bebedoiro nem uma mamadeira. E naturalmente que eu queria que o bébé bebesse em português.
E no divertimento, a boîte e o dancing, o discjockey e o rave. E no desporto, tennis, football, goal, outside, off-sider, tudo o mais que é um sem fim, e finalmente Mister. Ah! Como é interessante um português, pequeno e escuro, sarraceno, treinador de futebol, ser chamado de Mister! O Mister isto, o Mister aquilo... Além do escritório onde reina todo poderoso o dossier. Também pelo dossier uma pessoa não pode chamar em Língua Portuguesa. Nem à fadiga muito especial, criada no seio da sociedade do dossier, se pode chamar cansaço ou esgotamento, mas stress. Stress corresponde a um outro tipo de canseira. E quem diz stress diz manager, e management, e marketing, e ship, e fax e também shoping e trade shoping, que não são feiras, nem centros comerciais, nem tão pouco mercados, mas são isso mesmo, shopings e trade shopings, outras noções, outra existência, outros talhes de cintura, outros cabelos, outra pose na vida, boa ou má, não interessa, outra realidade, outra pretensão, outro sonho. E na verdade, eu não me oponho ao sonho nem à realidade. É por isso que me sento junto aos shopings, onde nem sempre me apetece entrar, mas não penso jamais na palavra corrupção.

Porque as línguas são sistemas abertos, e as palavras e as frases, e os sons que vêm dentro delas viajam quando têm combustível para viajar, e implantam-se lá onde encontram um lugar carente duma nova realidade. Vêm com os objectos e as invenções, e ficam se os aceitam. A luta pode chamar-se colonização, e nem sequer é subtil. Gira como o mundo, para além das línguas, presidindo às mortes e às vidas. Em nada como no devir das línguas o anonimato é tão intenso, apesar de ter sujeito. Ninguém é responsável por que na faixa direita das ruas alguém tenha mandado escrever BUS por economia de espaço. Ou TAP-AIR-PORTUGAL, para que até os cegos vejam que a Transportadora é aérea e é de Portugal. Talvez de outro modo, mais sagaz e mais nacionalista se entendesse pior. Talvez até já nem houvesse transportadora aérea portuguesa. O que sei eu? A vida anda e move-se por vontades indomáveis de que nós mesmos somos autores secundários e derradeiros. E jungle, e handicap, e overdose, e stand by, e black out... Ainda há uns anos eu ironizava os parties num livro que escrevi onde se falava de perdas da memória colectiva com uma espécie de ironia. Mas recentemente Agustina Bessa-Luís escreveu um diálogo, sobre o qual Manoel de Oliveira fez um filme, um e outro chamados "Party", ambos de cinco estrelas, e ninguém falou, nem poderia falar, sobre qualquer perda de identidade. Não há tal para perder. Porque o Party, o velho Garden Party à inglesa, entretanto, entrou na nossa vida, e ninguém deu por isso, nem é para lamentar. O Garden Party afinal fazia falta na nossa vida nova, entretanto nova burguesa disfarçado de outra cara, e nós não sabíamos. Como antes os proletários não conheciam a grève, nem o meeting, nem os políticos recentes o gentleman's agreement e a task-force. Então, meu Deus, façamos as pazes com o inelutável, na certeza de que nenhum decreto pode vedar a entrada do sonho e da viagem. E o sonho, ou a facilidade, para quem os usa, está aí.

Por mim, aqui vou vivendo bem com a nossa língua de raiz rural e marítima. Passo pelas ruas e as palavras nascem das coisas com cheiro a maresia, a salmoura e a laranjas. Ainda não inverti a realidade, ainda acho que o champô cheira a amoras, ainda não digo como os meus filhos que o laranjal cheira a champô. Mas não me incomoda o trato com o que chega, embora não me fique indiferente ao que não exporto. De qualquer modo, também coche, o que eu sabia aparelhar, era francês, depois de ter sido checo e húngaro. E charrette, e cachecol e cache-nez. O chá era dos chineses, dialecto mandarino, e o café era árabe, turco, e depois foi italiano. E o lunch que veio de Inglaterra e ficou lanche, servido sob o bule que foi malaio. Palavras que hoje são de todos, porque os objectos são de todos os que os usam, e os seus nomes importados, só por si, não atingem o coração das línguas. O coração de cada língua é que é inatacável. O nó górdio da sintaxe, o nó dos verbos que multiplicam a acção pelos pronomes, os pronomes que definem os sujeitos e os destinatários, activos, passivos, e reactivos. As preposições, as formas de as pôr ou não pôr antes e depois, o modo de juntar as palavras de forma a criar outras, o modo de as sobrepor e despedaçar, esse sistema estruturante das línguas, que faz o idioma e o espírito, mostrável pela Gramática, não regido, isso é que constitui o órgão propulsor da Língua. O coração da língua, o sistema duro, a sua parte mais estável, aquela sobre a qual se pode descansar.

Porque a língua, ela, toda inteira, nunca parou nem pára, é um sistema em permanente corrupção. A língua não precisa de sal. Apodrece com perfume. O aroma da Língua solta-se ao ser arejada, batida, entrada, removida, um sistema aberto, uma realidade mutável consoante as várias outras realidades que a empurram e a definem, e já o disse, os usos são indomáveis. Fiz parte daqueles que queriam implantar em vez de implementar, dos que quiseram espectáculo em vez de show. Em vão. A língua engrossa contra a vontade de cada um. E nós, aqueles que designam por escritores, banais como os banais falantes, vamos pelas partes moles da língua, andamos pelas suas margens corrriqueiras e flácidas, metemo-nos pelos restos, pelas bordas, aproveitamos o que sobeja, o que de repente foge para diante, avessos aos sistemas de conservação, seguros de que o coração da língua enfraquece e esquece, se as franjas da semântica não se renovam. E toda a vivificação é uma novidade, e toda a novidade, no início, uma corrupção. Também já o disse. O que ainda não disse é que, por vezes, assalta-me a absurda ambição de poder falar todas as línguas. Poder entrar na alma delas para perceber onde está a totalidade que as precede, ou se não as precede, pelo menos, a todas elas preside. A ambição de ficar na posse da natureza da fala. Na fantasia de poder tocar todas as línguas sobre o vasto piano delas. Mas depois de obter essa impossível ciência, tudo o que soubesse e aprendesse, seria para falar e escrever em língua portuguesa.
27/06/1997